Líder de partido antigerra marginalizado na Rússia afirma que não será silenciado

13 ago 2026 - 11h27
(atualizado às 11h59)

O líder do único partido antigerra ‌registrado na Rússia afirmou que permanecerá no país e continuará lutando por mudanças, apesar da crescente pressão das autoridades que levou à exclusão do partido das próximas eleições parlamentares.

A Suprema Corte decidiu na segunda-feira impedir a participação do partido liberal pós-soviético Yabloko nas eleições de setembro, uma decisão que, segundo o líder Nikolai Rybakov disse à ⁠Reuters, reflete a preocupação das autoridades de que seu apelo para pôr fim à guerra ‌na Ucrânia, que dura mais de quatro anos, estivesse encontrando eco entre os eleitores.

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"Para nós, o apoio do povo que existe agora, que é completamente óbvio e ‌impossível de esconder, é muito mais importante do que ‌a decisão do tribunal", declarou ele em entrevista em Moscou, relatando que, ⁠após o veredicto, centenas de apoiadores nas ruas gritaram "Vergonha!" em voz alta o suficiente para serem ouvidos claramente dentro do tribunal.

O Yabloko possui apenas alguns assentos regionais e não tem representação na Duma, a câmara baixa do Parlamento, que é dominada pelo partido Rússia Unida, apoiado por Putin.

A votação de setembro elegerá os membros da câmara baixa, ‌que conta com 450 cadeiras. É praticamente certo que o Rússia Unida manterá seu ‌domínio, embora Rybakov tenha afirmado ⁠que o Yabloko seria ⁠um candidato mais forte do que o esperado se fosse autorizado a concorrer.

O Yabloko está recorrendo ⁠da decisão da Suprema Corte, que se ‌seguiu a uma ação judicial ‌alegando que o partido recebeu apoio de campanha não declarado de fontes ocidentais, entre outras acusações que ele nega.

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"Eu digo a todos que isso é apenas o começo, porque muitas pessoas só agora começaram a prestar atenção", disse ele ⁠em seu escritório, onde um cartaz escrito à mão dizia: "Pessoal, não matem uns aos outros".

"Uma das coisas que as autoridades gostariam muito de ver é que as pessoas fiquem desiludidas, que decidam que estão sozinhas, que não há ninguém ao seu redor que pense da mesma forma que elas."

O ‌veterano da oposição, de 47 anos, disse que não tem planos de deixar a Rússia, apesar das rígidas leis de censura e de outras medidas legislativas de tempo ⁠de guerra que levaram muitas figuras da oposição e ativistas a fugir ou a correr o risco de serem processados por expressarem opiniões contra a guerra ou outras formas de dissidência.

"Estou na Rússia e permanecerei na Rússia", afirmou Rybakov, que usava um broche com uma pomba da paz na lapela. "Só é possível mudar o que está acontecendo na Rússia, mudar a situação política na Rússia, estando dentro do país."

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É difícil avaliar a oposição pública à guerra devido aos rígidos controles estatais sobre a dissidência, mas a porcentagem de russos que afirmam apoiar as ações de suas forças armadas na Ucrânia caiu para 66% em julho, o nível mais baixo desde fevereiro de 2022, de acordo com o Levada Center, uma empresa de pesquisa não governamental que consta na lista de agentes estrangeiros de Moscou.

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