A declaração ocorre um dia depois do encontro do presidente libanês, Joseph Aoun, com o presidente americano Donald Trump, na Casa Branca. Na reunião, Aoun insistiu na necessidade de uma retirada total das tropas israelenses para permitir a implementação plena do acordo.
"Continuaremos mobilizando esforços políticos e diplomáticos para alcançar uma retirada israelense completa do sul", declarou Salam após hastear uma bandeira libanesa na cidade.
O Exército libanês começou na terça-feira (21) a se posicionar na região, antes controlada pelas forças israelenses. A operação, porém, foi marcada por tensões. Os militares libaneses acusaram Israel de abrir fogo próximo às suas unidades. O Exército israelense respondeu que efetuou "disparos de advertência para o alto" depois que soldados libaneses entraram em uma área que, segundo Tel Aviv, não fazia parte da zona-piloto prevista pelo acordo.
Apesar da redução dos confrontos entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irã, o Exército israelense continua realizando ataques esporádicos no sul do Líbano. Nesta quarta-feira, bombardeios atingiram a localidade de Nabatiyé al-Fawqa, segundo a agência oficial libanesa ANI.
Retorno dos deslocados
O acordo firmado em junho prevê o deslocamento gradual do Exército libanês para áreas evacuadas por Israel, que ainda mantém tropas em partes do sul do país. Em contrapartida, o Hezbollah deveria ser desarmado.
O movimento xiita rejeita esse acordo e se opõe ao desarmamento. Em março, o grupo abriu uma frente de combate contra Israel em apoio ao Irã, desencadeando uma resposta militar israelense que incluiu bombardeios e uma ofensiva terrestre. O conflito provocou mais de um milhão de deslocados.
Segundo Nawaf Salam, além do deslocamento militar, o governo continuará abrindo estradas, removendo escombros e restabelecendo serviços essenciais para permitir que a população retorne "com segurança e dignidade" às suas casas.
De acordo com a ONU, mais de 700 mil pessoas já retornaram ao sul do Líbano desde a trégua firmada em junho.
Novas negociações em Roma
Em paralelo, a Itália anunciou que sediará, em menos de duas semanas, uma nova rodada de negociações entre Líbano e Israel. Será o segundo encontro em menos de um mês, após uma primeira sessão realizada em meados de julho, também em Roma.
"O próximo ciclo de diálogo acontecerá em 4 de agosto", declarou o ministro italiano das Relações Exteriores, Antonio Tajani, à Câmara dos Deputados. Segundo ele, as negociações anteriores permitiram avanços importantes na definição das primeiras zonas-piloto previstas pelo acordo.
Com AFP