Câmara da Itália nega acesso a mensagens de ex-subsecretário e provoca protestos

MP de Roma apura relação entre Andrea Delmastro e italiano condenado por ligação com máfia

22 jul 2026 - 10h17
(atualizado às 11h04)

A Comissão de Autorizações da Câmara dos Deputados da Itália rejeitou nesta quarta-feira (22) o pedido do Ministério Público de Roma para ter acesso às conversas entre o ex-subsecretário de Justiça da Itália Andrea Delmastro e o restaurateur Mauro Caroccia, condenado por ligações com o chefe da máfia napolitana Camorra, Michele Senese.

De acordo com fontes parlamentares, a decisão da comissão impede, por enquanto, que os magistrados tenham acesso às mensagens trocadas por aplicativo. O caso ainda será submetido ao plenário da Câmara dos Deputados, que dará a palavra final sobre a autorização.

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Delmastro deixou o cargo de subsecretário da Justiça em março, após a revelação de que era sócio de um restaurante em Roma ao lado da filha adolescente de Caroccia, Miriam.

O deputado sempre negou qualquer irregularidade e afirmou que sua única falha foi não ter sido cuidadoso na escolha do sócio.

Segundo ele, a sociedade foi encerrada assim que tomou conhecimento dos problemas judiciais envolvendo Caroccia.

As conversas seriam utilizadas em uma investigação da qual Delmastro não é alvo direto, mas que está relacionada ao caso que levou à sua renúncia ao cargo de subsecretário do Ministério da Justiça, em março deste ano.

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O Ministério Público investiga Caroccia e sua filha por suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio envolvendo o restaurante Bisteccheria d'Italia. Embora o estabelecimento esteja formalmente registrado em nome de Miriam, os investigadores suspeitam que ela tenha atuado como laranja para permitir que o pai administrasse o negócio, apesar de sua condenação.

Atualmente, Caroccia cumpre prisão perpétua por crimes relacionados à máfia. O caso ganhou repercussão em março, quando veio a público que Delmastro possuía participação societária no restaurante.

O deputado afirmou que desconhecia o parentesco entre Miriam e Caroccia, alegou nunca ter conhecido o empresário e declarou ter vendido suas ações assim que tomou conhecimento da situação.

No entanto, segundo a investigação, diversos elementos, entre eles uma fotografia dos dois juntos, colocaram em dúvida essa versão. As inconsistências nas explicações aumentaram a pressão política sobre Delmastro, que acabou renunciando.

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A decisão de hoje da comissão provocou forte reação da oposição. Representantes do Movimento Cinco Estrelas (M5S) ocuparam as bancadas do governo durante a sessão do Senado e exibiram cartazes em protesto contra a negativa de acesso às conversas.

Por causa disso, a presidente Mariolina Castellone precisou suspender temporariamente a sessão.

Os parlamentares da oposição acusaram a maioria de utilizar os mecanismos institucionais para proteger um aliado político e impedir o avanço das investigações. Já os integrantes da base governista exigiram que os manifestantes deixassem os assentos do governo.

"Negar ao poder judicial o acesso a elementos relevantes do conhecimento, no contexto de uma investigação sobre fatos muito graves em que Caroccia é inclusive acusado da circunstância agravante de facilitação mafiosa, contradiz veementemente todas as proclamações de legalidade", afirmaram. 

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