Paul Khalifeh, correspondente da RFI em Beirute
As localidades de Zaoutar al-Charkiyé e Zaoutar al-Gharbiyé estão situadas na margem norte do rio Litani, ou seja, fora da zona-tampão estabelecida por Israel. O anúncio da retirada israelense dessas duas localidades atende apenas parcialmente às expectativas do governo libanês, que acusa Israel de não cumprir integralmente os entendimentos negociados sob mediação de Washington.
Além disso, uma das localidades citadas pela imprensa israelense, Zaoutar al-Gharbiyé, não estaria ocupada por tropas israelenses. O Exército libanês, inclusive, já havia se deslocado para a região na sexta-feira (17), assim como para outros cinco povoados onde Israel pretende aplicar o projeto das "zonas-piloto".
Os militares instalaram postos de controle e reforçaram o patrulhamento para demonstrar que essas áreas não estão sob ocupação israelense e já se encontram sob autoridade do Estado libanês.
"Ilusão de ótica" na implementação das "zonas-piloto"
Segundo essa interpretação, o modelo experimental das "zonas-piloto" não poderia ser aplicado nessas localidades e deveria ser implementado em outras áreas efetivamente ocupadas por Israel - hipótese que, por enquanto, o governo israelense se recusa a considerar.
Uma fonte oficial libanesa classificou o anúncio israelense como uma "ilusão de ótica", destinada a transmitir a impressão de que Israel está cumprindo seus compromissos.
O anúncio ocorre no momento em que o presidente do Líbano, Joseph Aoun, embarcou neste sábado para Washington. Ele deve se reunir com o presidente americano Donald Trump na Casa Branca na próxima terça-feira (21).