Líbano acusa Israel de criar 'ilusão de ótica' com plano de zonas-piloto no sul do país

Enquanto as negociações entre Irã e Estados Unidos seguem paralisadas e os ataques voltaram a se intensificar na região, a situação no Líbano apresenta uma nova evolução. O Exército israelense prevê retirar-se de duas localidades no sul do país como parte da implementação do projeto das chamadas "zonas-piloto", que passariam a ficar sob controle das Forças Armadas libanesas. No entanto, o Líbano acusa Israel de criar uma "ilusão de ótica" e de não estar cumprindo totalmente com os acordos.

18 jul 2026 - 10h37

Paul Khalifeh, correspondente da RFI em Beirute

As localidades de Zaoutar al-Charkiyé e Zaoutar al-Gharbiyé estão situadas na margem norte do rio Litani, ou seja, fora da zona-tampão estabelecida por Israel. O anúncio da retirada israelense dessas duas localidades atende apenas parcialmente às expectativas do governo libanês, que acusa Israel de não cumprir integralmente os entendimentos negociados sob mediação de Washington.

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Além disso, uma das localidades citadas pela imprensa israelense, Zaoutar al-Gharbiyé, não estaria ocupada por tropas israelenses. O Exército libanês, inclusive, já havia se deslocado para a região na sexta-feira (17), assim como para outros cinco povoados onde Israel pretende aplicar o projeto das "zonas-piloto".

Os militares instalaram postos de controle e reforçaram o patrulhamento para demonstrar que essas áreas não estão sob ocupação israelense e já se encontram sob autoridade do Estado libanês.

"Ilusão de ótica" na implementação das "zonas-piloto"

Segundo essa interpretação, o modelo experimental das "zonas-piloto" não poderia ser aplicado nessas localidades e deveria ser implementado em outras áreas efetivamente ocupadas por Israel - hipótese que, por enquanto, o governo israelense se recusa a considerar.

Uma fonte oficial libanesa classificou o anúncio israelense como uma "ilusão de ótica", destinada a transmitir a impressão de que Israel está cumprindo seus compromissos.

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O anúncio ocorre no momento em que o presidente do Líbano, Joseph Aoun, embarcou neste sábado para Washington. Ele deve se reunir com o presidente americano Donald Trump na Casa Branca na próxima terça-feira (21).

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