Segundo um comunicado do Ministério das Relações Internacionais de Botsuana, os recrutamentos ocorrem por meio de esquemas fraudulentos que atraem candidatos com falsas promessas antes de enviá-los para zonas de combate.
A partir de relatórios recentes, a pasta denuncia que o número de cidadãos de Botsuana atraídos por meios enganosos para esse tipo de arranjo está "aumentando em um ritmo alarmante". De acordo com as autoridades, muitos dos recrutados acabam sendo obrigados a participar diretamente dos combates após chegarem à Rússia.
O ministério também afirma que recebe apelos desesperados de cidadãos de Botsuana que já se encontram na linha de frente, "descrevendo as condições perigosas que enfrentam".
O governo não informou quantos cidadãos de Botsuana estão atualmente na Rússia ou na Ucrânia. Em dezembro, porém, já havia alertado que pelo menos dois jovens do país poderiam ter sido recrutados.
Africanos recrutados para a guerra
Nos últimos meses, diversos países africanos têm relatado casos de cidadãos enganados para integrar o Exército russo. Muitos deles morreram no campo de batalha.
Em fevereiro, a ONG All Eyes on Wagner, que monitora atividades ligadas ao antigo grupo paramilitar russo Wagner, divulgou uma lista com mais de 1.400 africanos recrutados por Moscou entre janeiro de 2023 e setembro de 2025 para lutar na Ucrânia. Segundo o grupo, mais de 300 desses combatentes morreram durante o conflito.
Os maiores contingentes identificados seriam provenientes do Egito, Camarões e Gana. Países da África Austral também têm relatado casos semelhantes de recrutamento de seus cidadãos por parte da Rússia.
Guerra continua sem perspectiva de solução
A Rússia lançou sua ofensiva em larga escala contra a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, por ordem do presidente Vladimir Putin, que esperava uma rápida rendição de Kiev.
Mais de quatro anos depois, a guerra continua sem perspectivas de solução diplomática. O conflito já deixou dezenas, e possivelmente centenas, de milhares de mortos e permanece em um impasse tanto no terreno militar quanto nas negociações internacionais.
Com AFP