Leitura entre adolescentes atinge pior nível deste século devido ao aumento do tempo de tela

8 set 2026 - 12h07
(atualizado às 13h12)
Resumo
O teste Pisa de 2025 da OCDE revelou que o desempenho de adolescentes em leitura, matemática e ciências atingiu o pior nível do século. A pontuação média em leitura caiu drasticamente, associada ao excesso de tempo de tela e à distração digital, que prejudicam a concentração e o aprendizado. Embora o Leste Asiático lidere o ranking educacional, o relatório global alerta que o uso de dispositivos por mais de cinco horas diárias e o apoio excessivo de IA para tarefas reduzem o rendimento escolar.

Adolescentes mais acostumados a smartphones do que ‌a Shakespeare estão apresentando os piores índices de leitura já registrados neste século, o que está levando a um declínio mais amplo na educação, segundo uma avaliação global de alunos.

O teste de 2025 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), realizado com 760 mil jovens de 15 anos em 91 países, mostrou que as notas em leitura, matemática ⁠e ciências atingiram seus níveis mais baixos desde que os dados começaram a ser coletados, em ‌2000.

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Em média, os alunos apresentavam um nível de leitura que, no passado, era esperado de alunos um ano mais novos, de acordo com a última edição do Programa Internacional ‌de Avaliação de Alunos (Pisa) da OCDE, divulgada nesta terça-feira.

A ‌pontuação máxima de 501 em leitura, registrada em 2012 no índice do Pisa, ⁠caiu para 466 no ano passado. O teste é amplamente considerado o principal indicador mundial de desempenho educacional, e seus resultados são analisados minuciosamente por governos e educadores.

"Na leitura, o aumento do tempo gasto diante de telas e a diminuição da leitura por prazer têm andado de mãos dadas com resultados mais fracos", afirmou o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, ‌em uma coletiva de imprensa.

"Também estamos observando uma leitura mais apressada, com os alunos percorrendo um ‌texto às pressas e dando ⁠respostas erradas rapidamente."

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As notas ⁠em leitura caíram mais acentuadamente entre os alunos de origens mais abastadas, acrescentou o estudo.

Prejudicadas pela queda ⁠nos padrões de leitura, as habilidades médias dos ‌adolescentes em ciências e matemática ‌também atingiram seu nível mais baixo neste século. A pontuação em ciências caiu de 506 — o pico registrado em 2009 — para 486, enquanto a de matemática caiu de 502 para 469 no mesmo período.

O Leste Asiático foi a região com melhor desempenho. ⁠As cidades chinesas que participaram do teste, além do Japão, da Coreia, de Cingapura e de Taiwan, apresentaram os melhores sistemas educacionais, sendo o Reino Unido e a Estônia os únicos países fora da região que figuraram entre os 10 primeiros em leitura, matemática e ciências.

DISTRAÇÃO DIGITAL

O relatório não chegou a endossar ‌a proibição de smartphones nas escolas. No entanto, afirmou que a distração digital está associada a notas mais baixas em ciências em 59 dos 82 sistemas educacionais estudados, e ⁠mais de um em cada quatro alunos afirma que os dispositivos distraem os pares nas aulas de ciências.

A OCDE informou que os alunos relataram passar, em média, 3,4 horas por dia útil em dispositivos digitais para lazer nos países membros da OCDE e outras 3 horas por dia útil na sala de aula e em casa para fins de aprendizagem.

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Os dispositivos digitais podem ser usados para melhorar a aprendizagem, mas apenas até certo ponto, disse Cormann. Se usados por mais de cinco horas por dia, os resultados começam a cair, acrescentou ele.

O estudo também constatou que quase metade dos alunos usa chatbots de inteligência artificial regularmente para aprender, mas aqueles que os utilizam para redigir redações, resumir textos e pesquisar temas geralmente obtêm notas cerca de 20 pontos mais baixas em ciências, o que equivale a um ano de aprendizado.

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