Centenas de jovens voltaram a protestar contra o custo de vida no centro de Milão, provocando depredações de lojas, saques a um supermercado e bloqueio de vias. A polícia mobilizou veículos blindados e helicóptero, contendo os tumultos e levando cerca de 50 pessoas à delegacia. A violência motivou a primeira-ministra Giorgia Meloni a convocar uma reunião de emergência, enquanto o vice-premiê Matteo Salvini defendeu medidas mais duras e maior liberdade de ação para as forças de segurança.
Centenas de jovens voltaram às ruas do centro de Milão neste domingo (18), um dia após confrontos durante uma manifestação contra o aumento do custo de vida.
Grupos depredaram estabelecimentos comerciais, quebraram vitrines, saquearam um supermercado e espalharam objetos pelas vias públicas. Pelo menos 50 pessoas foram abordadas para identificação e levadas à delegacia.
Os episódios de violência foram registrados principalmente na Via Torino e nas imediações da Piazza Duomo, onde centenas de pessoas se reuniram em pequenos grupos de 10 a 20 pessoas. A maioria vestia roupas pretas, e alguns participantes estavam com os rostos cobertos.
Uma loja da rede esportiva Foot Locker teve a vitrine atacada com mesas e cadeiras arremessadas pelos jovens. Uma unidade da loja Champions também foi alvo de depredação.
Na mesma região, manifestantes derrubaram lixeiras e lançaram objetos na rua, enquanto patinetes elétricos, ciclomotores e bicicletas eram tombados.
Um supermercado Carrefour também foi saqueado. Segundo relatos, os manifestantes quebraram as vitrines do estabelecimento, entraram no local e saíram carregando garrafas de bebidas alcoólicas. Alimentos foram jogados na rua.
Mesas de áreas externas de estabelecimentos comerciais foram destruídos, e os vidros de uma van também foram quebrados.
As forças de segurança mobilizaram agentes equipados para o controle de distúrbios, unidades móveis e veículos blindados para conter os grupos. Um helicóptero sobrevoou o centro da cidade durante a operação.
Na região de Carrobbio, cordões policiais conseguiram retomar parcialmente o controle da situação. Parte dos jovens recuou em direção ao centro, enquanto outros se dispersaram pelas ruas do bairro Cinque Vie. Alguns manifestantes foram detidos após os atos de saque.
A presença policial também foi reforçada na Piazza Duomo, onde os grupos se espalharam pelas ruas próximas. Em um dos episódios relatados, vários jovens atravessaram a via correndo e arremessaram uma lixeira no meio da rua.
Diante dos confrontos registrados nos últimos dias, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, convocou uma reunião para esta segunda-feira (19) para discutir questões relacionadas à ordem pública.
Já o vice-premiê e líder da Liga, Matteo Salvini, defendeu o reforço das medidas de prevenção e a ampliação dos recursos disponíveis para as forças de segurança.
Em entrevista à rádio RDS, Salvini manifestou solidariedade aos policiais e integrantes dos carabineiros feridos nos confrontos e que permaneciam hospitalizados.
"Precisamos, sem dúvida, de uma prevenção mais eficaz e de uma presença mais forte ? além de maior liberdade de ação para as forças de segurança, sempre em conformidade com as regras e códigos estabelecidos", afirmou.
Salvini também mencionou o uso de canhões de água e armas de choque, conhecidas como tasers, além da necessidade de apoio do sistema judiciário às operações policiais.
As declarações foram feitas após o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, questionar se o efetivo de segurança mobilizado para a manifestação da véspera havia sido suficiente para conter os confrontos.