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Itália: ideia de cidadania honorária a Bolsonaro é criticada

Parlamentar disse que a homenagem representaria "uma afronta às vítimas da pandemia de covid-19 no Brasil"

25 out 2021 08h11
| atualizado às 08h25
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Jair Bolsonaro
Foto: Adriano Machado / Reuters

Vereadores do município italiano de Anguillara Veneta criticaram a proposta da prefeita Alessandra Buoso de conferir cidadania honorária ao presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. A medida será votada pela Câmara Municipal em sessão convocada para a tarde desta segunda-feira, 25, e, segundo Buoso, se justifica pelo fato de um bisavô paterno de Bolsonaro ter nascido em Anguillara, cidade de pouco mais de 4 mil habitantes situada 80 quilômetros a sudoeste de Veneza.

Em declaração à Ansa, o vereador de oposição Antonio Spada afirmou que a homenagem representaria um "prejuízo aos cidadãos de Anguillara e uma afronta às vítimas da pandemia de covid no Brasil".

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"Bolsonaro nunca promoveu a imagem de nossa cidade, mas está recebendo essa honraria apenas porque tem um bisavô nascido aqui. Rechaçamos a ideia de que Bolsonaro se torne modelo e exemplo para os cidadãos de Anguillara Veneta e o fato de essa escolha ser um ato imposto sem consultar a população", disse Spada.

O ato de convocação da Câmara Municipal para discutir a cidadania honorária foi assinado pela prefeita em 20 de outubro, mesmo dia da leitura do relatório da CPI da Covid no Senado Federal.

Além de crimes contra a humanidade, o pedido de indiciamento escrito pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL) acusa Bolsonaro de epidemia com resultado morte, infração de medida sanitária preventiva, charlatanismo, incitação ao crime, falsificação de documento particular, emprego irregular de verba pública e prevaricação.

Também enquadra o presidente em dois crimes de responsabilidade: violação de direito social e incompatibilidade com dignidade, honra e decoro do cargo.

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"Vamos nos opor a essa decisão, cuja responsabilidade recai exclusivamente sobre a prefeita e seus vereadores, que tentam nos convencer de que Bolsonaro é uma boa pessoa nos dizendo que não devemos avaliar a situação no Brasil, apenas suas origens. Acreditamos que isso é inadmissível e vergonhoso", acrescentou Spada.

Já o vereador Fabrizio Biancato, também de oposição, disse à Ansa que "não basta ter um bisavô de Anguillara Veneta para merecer a cidadania honorária".

"Por aquilo que fez e aquilo que está fazendo, estamos falando de uma pessoa que deve responder a acusações em tempos de pandemia e continua a fazer uma política negacionista e contra a vacina, que sempre demonstrou falta de respeito pelas pessoas e pelo meio ambiente e que é artífice de escolhas que fizeram retornar o desespero e a fome no Brasil", salientou.

A reportagem também procurou vereadores da situação, que são maioria na Câmara Municipal de Anguillara, mas ainda não obteve resposta. No entanto, a própria prefeita Buoso disse na semana passada que a homenagem a Bolsonaro não deveria ser vista como um ato "político".

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"Pensei nas pessoas do meu país que imigraram para o Brasil e construíram uma vida até chegar a presidente, levando o nome de Anguillara Veneta para o mundo", declarou a prefeita na última quinta-feira, 21.

Questionada se estaria confortável em conferir a cidadania honorária a um homem acusado de crimes contra a humanidade, Buoso disse que até quarta-feira passada não sabia sobre o relatório da CPI. "Não posso entrar na política brasileira. Infelizmente, o momento não foi favorável. Não posso dizer mais nada por enquanto", ressaltou.

  
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