Israel diz ter destruído capacidade nuclear do Irã; Trump pede fim de ataques a infraestruturas de gás

A guerra travada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã chega ao seu 21º dia nesta sexta-feira (20) com uma escalada inédita na retórica e nas operações militares. Na noite da quinta-feira (19), o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que o Irã está sendo "dizimado" e que Israel está "vencendo a guerra", afirmando que Teerã já não teria capacidade de enriquecer urânio ou fabricar mísseis balísticos após quase três semanas de ataques.

19 mar 2026 - 17h12

Segundo Netanyahu, o arsenal de mísseis e drones iranianos está sofrendo "degradação massiva", com centenas de lançadores destruídos e as indústrias responsáveis pela produção severamente afetadas. "O que estamos destruindo hoje são as fábricas que produzem componentes para esses mísseis e essas armas nucleares que eles estão tentando produzir", declarou ele em uma coletiva de imprensa, afirmando ainda que Israel agiu sozinho no ataque à instalação de gás de South Pars - episódio que marcou o 20º dia da guerra.

Fumaça sobe de uma refinaria de petróleo danificada durante um ataque iraniano, em meio ao conflito em curso entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, em Haifa, Israel, em 19 de março de 2026.
Fumaça sobe de uma refinaria de petróleo danificada durante um ataque iraniano, em meio ao conflito em curso entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, em Haifa, Israel, em 19 de março de 2026.
Foto: © Sharon Sztrozenberg / Reuters / RFI

O programa nuclear iraniano estava no centro das negociações conduzidas por Teerã e Washington antes do início do conflito, em 28 de fevereiro, quando ataques conjuntos israelenses e americanos atingiram a República Islâmica. Netanyahu, porém, negou ter arrastado os Estados Unidos para a guerra. "Quem realmente acha que alguém pode dizer ao presidente Trump o que fazer?", questionou.

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Apesar das declarações de vitória, o premiê admitiu que ainda é "cedo demais" para saber se a população iraniana se rebelará contra o governo. Ele também afirmou que, embora o conflito até agora tenha sido exclusivamente aéreo, um componente terrestre poderá ser adicionado.

"Há muitas possibilidades para esse componente", disse, sem dar detalhes. Ainda assim, insistiu que "há sinais de que o regime iraniano está cedendo" e que a guerra "terminará mais rápido do que as pessoas imaginam".

Pressão financeira crescente

Enquanto a narrativa de sucesso militar é reforçada por Israel, o governo americano enfrenta crescentes pressões internas. Fazer guerra custa caro, e diariamente a ofensiva no Oriente Médio exige uma fortuna aos cofres públicos. Os bombardeios realizados pelos Estados Unidos e por Israel no Irã levaram o Pentágono a solicitar ao Congresso um novo orçamento de quase US$ 200 bilhões para financiar as operações.

Nesta quinta-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, justificou o pedido alegando que "precisamos de dinheiro para matar os bandidos". Ele afirmou que a Casa Branca já foi procurada para aprovar a solicitação e que o valor pode aumentar conforme o avanço das necessidades da guerra.

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O apelo financeiro, porém, deve provocar tensões no Congresso. O conflito iniciado por Donald Trump é impopular entre parte da sociedade americana, e a falta de explicações claras sobre os objetivos militares pode levar principalmente parlamentares democratas a tentar bloquear o pacote. Resta saber como os republicanos reagirão.

Bombardeios e reações regionais

Na mesma quinta-feira (19), Donald Trump pediu ao primeiro-ministro israelense que evitasse novos ataques a campos de gás iranianos, após Teerã atingir instalações de energia no Catar. "Eu disse a ele: 'Não faça isso', e ele não fará", afirmou o presidente americano.

Washington também aprovou a venda de US$ 16,46 bilhões (R$ 86,5 bilhões) em armas para os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait, países do Golfo diretamente afetados pela guerra.

O premiê do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, classificou o ataque iraniano à principal infraestrutura de gás do país como "prova clara" de que Teerã mente ao afirmar que mira apenas interesses americanos.

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Risco global no Estreito de Ormuz

O fechamento do Estreito de Ormuz segue alimentando apreensão internacional. A Organização Marítima Internacional (OMI) pediu a criação de um "corredor marítimo seguro" para evacuar embarcações bloqueadas, classificando a medida como "urgente e provisória".

A ONU condenou o bloqueio da rota estratégica pelo Irã e alertou para o impacto global na segurança e na economia.

Com AFP

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