Um estudo da Alliance France Tourisme, baseado em pesquisa do Ifop realizada entre 5 e 16 de março com quase 6.300 pessoas, revelou a tendência. Segundo o levantamento, 40% dos entrevistados afirmam que a situação geopolítica atual "provavelmente terá impacto" sobre seus planos de férias na primavera ou no verão.
O estudo afirma que, embora o desejo de viajar se mantenha, há uma sensível mudança de comportamento diante das tensões internacionais. O impacto mais visível está nos destinos considerados próximos ao conflito.
Sete por cento dos participantes dizem que deixarão de viajar para a região que abrange Emirados Árabes Unidos, Egito, Turquia e Líbano. Outros 6% preferem evitar escala em grandes centros aeroportuários do Oriente Médio, como Dubai, Abu Dhabi e Doha, mesmo quando o destino final não é a região. Além disso, 7% planejam escolher um destino totalmente diferente do inicialmente previsto.
Roteiros domésticos
Um dado chama atenção do setor turístico: 21% dos entrevistados afirmam que pretendem priorizar viagens dentro da França. Em um país que já valoriza o turismo doméstico, a conjuntura internacional cria uma nova janela de oportunidades para os destinos nacionais, antes da alta temporada.
Apesar dessas adaptações, a maioria dos franceses mantém seus planos praticamente intactos. Segundo a pesquisa, 59% dos entrevistados afirmam que o conflito no Oriente Médio não influenciará suas férias. Dentro desse grupo, há uma parcela que sequer pretendia viajar antes do verão, que começa em 21 de junho, e outra que segue decidida a viajar mesmo para destinos potencialmente afetados: 8% dizem, inclusive, que desejam visitar um país da região.
Entre os 49% que já planejavam viajar durante as férias de verão, 27% admitem que a crise os levará a modificar parte da programação. Sete por cento afirmam que devem cancelar ao menos uma reserva, e 12% preferem adiar qualquer decisão até que a situação internacional se estabilize. Por outro lado, 55% garantem que não mudarão nada, enquanto 18% ainda não decidiram.
Para a Alliance France Tourisme, esse movimento pode favorecer destinos franceses que costumam atrair turistas na primavera e no início do verão. A entidade, que reúne empresas como Accor, Air France, SNCF Connect e Compagnie des Alpes, avalia que o contexto geopolítico, apesar de provocar incertezas, fortalece a percepção de que viajar dentro do país é uma opção segura, previsível e culturalmente valorizada.
O resultado é um panorama curioso: mesmo diante de tensões internacionais e ajustes de rota, o vínculo dos franceses com suas férias permanece intacto. O destino final pode mudar, mas a certeza da pausa continua firme - e a França, com sua diversidade de paisagens e infraestrutura robusta, aparece novamente como uma das escolhas mais naturais para quem prefere não arriscar sem abrir mão de viajar.
Com AFP