Guerra no Irã altera rotas, e franceses evitarão Oriente Médio nas férias de verão

Com a chegada da primavera no Hemisfério Norte nesta sexta-feira (20), os europeus começam a organizar seus planos de viagem para as próximas férias. Entre eles, os franceses se destacam por tratar a temporada de verão quase como um patrimônio cultural, planejado com antecedência e raramente ignorado. Neste ano, porém, a crise no Oriente Médio tem levado parte dos viajantes a reavaliar rotas e destinos.

19 mar 2026 - 16h09

Um estudo da Alliance France Tourisme, baseado em pesquisa do Ifop realizada entre 5 e 16 de março com quase 6.300 pessoas, revelou a tendência. Segundo o levantamento, 40% dos entrevistados afirmam que a situação geopolítica atual "provavelmente terá impacto" sobre seus planos de férias na primavera ou no verão.

Avião da companhia Air France (Imagem ilustrativa)
Avião da companhia Air France (Imagem ilustrativa)
Foto: © Business Wire / RFI

O estudo afirma que, embora o desejo de viajar se mantenha, há uma sensível mudança de comportamento diante das tensões internacionais. O impacto mais visível está nos destinos considerados próximos ao conflito.

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Sete por cento dos participantes dizem que deixarão de viajar para a região que abrange Emirados Árabes Unidos, Egito, Turquia e Líbano. Outros 6% preferem evitar escala em grandes centros aeroportuários do Oriente Médio, como Dubai, Abu Dhabi e Doha, mesmo quando o destino final não é a região. Além disso, 7% planejam escolher um destino totalmente diferente do inicialmente previsto.

Roteiros domésticos

Um dado chama atenção do setor turístico: 21% dos entrevistados afirmam que pretendem priorizar viagens dentro da França. Em um país que já valoriza o turismo doméstico, a conjuntura internacional cria uma nova janela de oportunidades para os destinos nacionais, antes da alta temporada.

Apesar dessas adaptações, a maioria dos franceses mantém seus planos praticamente intactos. Segundo a pesquisa, 59% dos entrevistados afirmam que o conflito no Oriente Médio não influenciará suas férias. Dentro desse grupo, há uma parcela que sequer pretendia viajar antes do verão, que começa em 21 de junho, e outra que segue decidida a viajar mesmo para destinos potencialmente afetados: 8% dizem, inclusive, que desejam visitar um país da região.

Entre os 49% que já planejavam viajar durante as férias de verão, 27% admitem que a crise os levará a modificar parte da programação. Sete por cento afirmam que devem cancelar ao menos uma reserva, e 12% preferem adiar qualquer decisão até que a situação internacional se estabilize. Por outro lado, 55% garantem que não mudarão nada, enquanto 18% ainda não decidiram.

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Para a Alliance France Tourisme, esse movimento pode favorecer destinos franceses que costumam atrair turistas na primavera e no início do verão. A entidade, que reúne empresas como Accor, Air France, SNCF Connect e Compagnie des Alpes, avalia que o contexto geopolítico, apesar de provocar incertezas, fortalece a percepção de que viajar dentro do país é uma opção segura, previsível e culturalmente valorizada.

O resultado é um panorama curioso: mesmo diante de tensões internacionais e ajustes de rota, o vínculo dos franceses com suas férias permanece intacto. O destino final pode mudar, mas a certeza da pausa continua firme - e a França, com sua diversidade de paisagens e infraestrutura robusta, aparece novamente como uma das escolhas mais naturais para quem prefere não arriscar sem abrir mão de viajar.

Com AFP

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