Paris recebe grande exposição sobre Brasília com acervo que retraça a construção da capital

A história da capital do Brasil, de sua idealização até sua concretização, é o tema da exposição Brasília: da Utopia à Capital, em cartaz no Palácio de Iéna, em Paris, até dia 21 de março. O objetivo da mostra é evidenciar a relevância geopolítica, histórica, social e cultural da cidade. Um projeto iniciado em 2010, que já passou por mais de 16 países, reunindo arquitetura e arte.

19 mar 2026 - 14h39

"A gente trouxe uma coleção com mais de 300 obras sobre a história de Brasília. Então, a gente fala desde 1750 até os dias atuais", explica a curadora Danielle Athayde. "É um relato histórico dessa saga que foi a construção da cidade nesse período", diz.

Uma foto de Peter Scheier da vista da Catedral Metropolitana de Brasília em construção em 1960, parte do acervo da exposição Brasília: Da utopia à capital.
Uma foto de Peter Scheier da vista da Catedral Metropolitana de Brasília em construção em 1960, parte do acervo da exposição Brasília: Da utopia à capital.
Foto: © Coleção Instituto Moreira Salles / RFI

Toda a história de Brasília é retraçada, desde 1750, quando o Marquês de Pombal sugere ao príncipe-regente, em Portugal, mudar a capital da costa para o interior do Brasil, até a decisão do presidente Juscelino Kubitschek, que, em 1955, transformou a utopia em realidade.

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Além de croquis de Oscar Niemeyer, o acervo conta com documentos importantes, como o memorial descritivo do Plano Piloto, projeto de Lúcio Costa.

"O Lúcio Costa participa do concurso de criação da cidade e escreve esse projeto, que foi selecionado. É um projeto simples, mas muito original e que dá origem ao Plano Piloto", explica a curadora.

Também estão expostas fotos históricas de Marcel Gautherot e Peter Scheier, fotógrafos que documentaram a construção da capital e cujos trabalhos mostram a utilização do concreto e do ferro nas cúpulas do Congresso Nacional, materiais pouco usados nas construções brasileiras da época.

Cartas trocadas entre Oscar Niemeyer, Lúcio Costa e Le Corbusier mostram o entusiasmo do arquiteto franco-suíço, que afirma que os projetos do Palácio da Alvorada e da Catedral contêm algumas das formas mais ousadas da arquitetura. Le Corbusier também afirma que Brasília é a cidade "mais arrojada que o Ocidente já criou".

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Passeio histórico

A exposição faz um passeio histórico pelas obras dos escultores Bruno Giorgi, Alfredo Ceschiatti, Maria Martins e da artista francesa Marianne Peretti, autora dos vitrais da Catedral de Brasília. Também traz materiais do paisagista Roberto Burle Marx e do pintor, escultor e desenhista Athos Bulcão.

Além de documentos arquitetônicos, a mostra conta com obras da Coleção Brasília do Acervo Izolete e Domício Pereira, que reúne grandes artistas modernistas de Brasília, entre eles os contemporâneos Alex Flemming, Carlos Bracher, Naura Timm — com as esculturas Mandrágoras do Cerrado — e João Facó.

A Brasília de hoje é representada em uma grande maquete com imagens aéreas da capital, que mostram o desenvolvimento da cidade e de seu entorno nos últimos 65 anos.

Danielle Athayde ressalta que "são três toneladas de acervo" que mostram ao visitante uma cidade menos conhecida que Rio de Janeiro e São Paulo, mas que tem muito a oferecer.

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"A importância dessa exposição é justamente mostrar que a capital do Brasil respira arte e cultura e que a gente está preparado para receber turistas para conhecerem o que temos de melhor, que é a nossa arquitetura, esse projeto tão maravilhoso que foi a construção de uma capital única no mundo", salienta. "O público fica muito emocionado quando vem conhecer a nossa história, então é isso que dá vida ao projeto."

Local emblemático

A exposição acontece no Palácio de Iéna, sede do Conselho Econômico, Social e Ambiental da França e um lugar emblemático. O arquiteto do edifício, Auguste Perret, foi um dos primeiros a compreender a linguagem arquitetônica do concreto armado, influenciando gerações de arquitetos, entre eles Oscar Niemeyer.

Esta relação entre França e Brasil também está fortemente presente na exposição, por meio dos artistas expostos. "Lúcio Costa, por exemplo, nasceu em Toulon", revela Danielle Athayde. "Marianne Peretti é francesa. Maria Martins teve uma relação de amizade muito forte com o (Marcel) Duchamp. Então, não existem coincidências, as coisas vão se ligando. E o público francês é muito aberto à arte, então essa exposição causa bastante impacto e presença também", diz, salientando que, no primeiro dia, a exposição recebeu 600 visitantes.

Brasília: Da Utopia à Capital também inclui a conferência Arquiteturas Utópicas, Auguste Perret e Oscar Niemeyer, que pode ser vista na página do YouTube Brasília Museu Aberto, e a mostra de cinema Brasília Viva, com os filmes Vik Muniz - A Arte no Caos, de Jimi Figueiredo, e JK - O Futuro Chamado ao Presente, de Fábio Chateaubriand, que acontece na Maison du Brésil nos dias 19 e 20 de março às 19h. A entrada para os eventos é gratuita.

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