Israel destrói edifícios no complexo da agência palestina da ONU em Jerusalém Oriental

20 jan 2026 - 08h53

Israel demoliu estruturas dentro do complexo da agência de refugiados palestinos da ONU em Jerusalém Oriental na terça-feira, depois de tomar o local no ano passado, em um ato condenado pela agência como uma violação do direito internacional.

Cercados pelas ‌forças israelenses, os tratores arrasaram vários prédios grandes e outras estruturas menores dentro do complexo da Agência das Nações Unidas de ‌Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), onde dezenas de funcionários da agência costumavam trabalhar.

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A UNRWA, que foi acusada de parcialidade por Israel, não usa o prédio desde o início do ano passado, depois que Israel ordenou que ela desocupasse todas as suas instalações e encerrasse suas operações.

Um porta-voz da UNRWA, Jonathan Fowler, disse à Reuters que as forças israelenses entraram ‍no complexo por volta das 7h da manhã (2h em Brasília), forçaram a saída dos guardas de segurança e, em seguida, trouxeram escavadeiras para começar a demolir os prédios internos.

O chefe da UNRWA, Philippe Lazzarini, condenou a demolição em uma declaração no X, chamando-a de "um novo nível de desafio aberto e deliberado ao direito internacional".

Ele ‌disse que essa foi a mais recente de uma série de ações israelenses contra ‌a UNRWA, incluindo um ataque a uma clínica médica neste mês e um plano para cortar a energia e a água das instalações da UNRWA nas próximas semanas.

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Alguns ex-funcionários da UNRWA disseram que as estruturas demolidas na terça-feira eram usadas para armazenar ajuda para Cisjordânia e Gaza.

"A destruição de hoje pela ocupação israelense é outra mensagem para o mundo de que Israel é o único país que pode demolir a lei internacional e sair impune", disse Hakam Shahwan, ex-chefe de gabinete da sede da UNRWA em Jerusalém Oriental.

O Parlamento de Israel aprovou uma lei em outubro de 2024 que proíbe a agência de operar no país.

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, de extrema-direita, publicou um vídeo nas mídias sociais em frente ao complexo da UNRWA quando uma escavadeira começou a demolir o local.

"Este é um dia histórico", disse Ben-Gvir.

ISRAEL ACUSA UNRWA DE PARCIALIDADE

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Israel alegou que alguns funcionários da UNRWA eram membros do grupo militante palestino Hamas e participaram do ataque a Israel em 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 israelenses e levou à guerra de Israel contra o Hamas, na qual as autoridades de Gaza dizem que mais de 71.000 palestinos foram mortos.

A UNRWA demitiu vários funcionários, mas disse que Israel não apresentou ‌provas de todas as alegações contra seus funcionários.

Em sua declaração, Lazzarini disse que Israel conduziu "uma campanha de desinformação em grande escala" contra a UNRWA.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que "a apreensão desse complexo pelas autoridades israelenses foi realizada de acordo com as leis israelenses e internacionais."

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