Israel busca influenciar negociações de paz ao desafiar Trump com ataques ao Irã

Israel e Irã suspenderam o conflito nesta segunda-feira, logo após pedido de Trump por cessar-fogo imediato

8 jun 2026 - 12h43
(atualizado às 14h24)
Judeu ultraortodoxo israelense perto de parte de um míssil após ataques do Irã, no centro da Cisjordânia ocupada por Israel 8 de junho de 2026
Judeu ultraortodoxo israelense perto de parte de um míssil após ataques do Irã, no centro da Cisjordânia ocupada por Israel 8 de junho de 2026
Foto: REUTERS/Ammar Awad

Ao ‌lançar novos ataques contra o Irã nesta segunda-feira, 8, em aparente desafio aberto ao presidente dos EUA, Donald Trump, Israel tentou defender seu direito de ter voz na mesa de negociações de paz, da qual, até agora, tem sido mantido à distância.

Apesar de Trump ter pedido publicamente que Israel suspendesse as ofensivas, o país atacou alvos iranianos pela primeira vez desde o cessar-fogo em abril, ⁠depois que o Irã disparou mísseis contra alvos israelenses. Teerã alegou ter feito uma retaliação aos ‌ataques israelenses à capital do Líbano.

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Israel e Irã suspenderam o conflito nesta segunda-feira, logo após Trump ter pedido que parassem de atirar, embora ambos tenham deixado em aberto a possibilidade de ‌retomar as ações.

Mas, ao lançar os ataques, Israel enviou ‌uma mensagem a Washington de que nenhum acordo final com o Irã poderá ser alcançado ⁠se seus interesses forem ignorados, disse Danny Orbach, historiador militar da Universidade Hebraica de Israel.

"Porque, se os interesses israelenses forem pisoteados com demasiada força, Israel pode virar a mesa."

Trump exclui Israel de negociações

Trump, que iniciou a guerra ao lado de Israel em fevereiro, vem tentando chegar a um acordo negociado com o Irã, enquanto exclui Israel das conversas.

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Ele instou publicamente o primeiro-ministro israelense ‌Benjamin Netanyahu a abster-se de ações que pudessem sabotar as negociações, incluindo a suspensão dos ataques no ‌Líbano, país que Israel invadiu ⁠em março em busca ⁠do grupo Hezbollah, aliado do Irã.

Por sua vez, o Irã afirma que não concordará com nenhum acordo de ⁠paz com Washington a menos que haja também um ‌cessar-fogo no Líbano.

Na semana passada, ‌Netanyahu cancelou os ataques aéreos contra Beirute após uma ligação com Trump. O norte-americano confirmou posteriormente que havia chamado o líder israelense de "louco" durante uma discussão acalorada, embora também tenha dito que eles ainda se dão bem.

Críticos internos acusaram Netanyahu de efetivamente abrir mão ⁠da soberania ao restringir as ações militares israelenses para sustentar as negociações dos EUA, sem ter assento à mesa.

Israel busca manter capacidade de ataque

Após o ataque de Israel ao Líbano no domingo, 7, e a decisão do Irã de disparar contra os israelenses em resposta, Trump deixou claro que acreditava que isso deveria ser o fim da ‌questão.

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"Cada um deles se divertiu", disse ele ao site Axios. "Israel fez seu ataque e o Irã fez o seu. Não precisamos de outro", afirmou Trump.

Mas Israel concluiu que somente atacando ⁠o próprio Irã em resposta poderia estabelecer que Teerã não deveria ter voz futura sobre as ações israelenses no Líbano.

Israel não poderia aceitar um cenário em que os ataques iranianos a seu território fossem considerados uma "resposta de olho por olho" justificável aos ataques israelenses ao Líbano, disse uma autoridade de alto escalão da defesa israelense à Reuters.

Antes de decidir atacar o Irã, Netanyahu convocou uma reunião com altos funcionários de segurança e defesa para discutir os objetivos de uma possível escalada de curto prazo, de acordo com a autoridade de alto escalão da defesa e outros dois funcionários israelenses familiarizados com as deliberações.

Um dos objetivos era garantir que qualquer futuro acordo entre EUA e Irã não retirasse o direito de Israel de atacar o Hezbollah no sul do Líbano e de manter suas tropas na região, disse a autoridade de alto escalão da defesa.

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