Israel bombardeia o Líbano enquanto Hezbollah resiste a plano de paz negociado nos EUA

Israel atacou o leste e o sul do Líbano neste domingo (17), segundo a mídia estatal libanesa, apesar de uma nova prorrogação do cessar-fogo que entrou em vigor em 17 de abril. A extensão da trégua foi anunciada pelos Estados Unidos após negociações bilaterais. O Hezbollah, que condena os diálogos diretos entre os dois países, recebeu no sábado o texto da declaração de intenções discutido em Washington.

17 mai 2026 - 07h57

Paul Khalifeh, correspondente da RFI no Líbano e AFP

O documento, debatido entre as delegações libanesa e israelense nas últimas quinta e sexta-feira, foi entregue ao grupo pró-Irã por meio do presidente do Parlamento, Nabih Berri, principal liderança xiita do país. O partido armado ainda não se pronunciou oficialmente sobre a proposta, que renova o cessar-fogo por 45 dias e inclui componentes políticos e militares.

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As negociações devem ser retomadas em junho com um objetivo ambicioso: normalizar as relações entre os dois países, tecnicamente em guerra desde 1948, visando a alcançar "um acordo abrangente que ponha fim ao conflito" e a estabelecer "relações bilaterais estáveis e pacíficas".

A agenda militar será discutida a partir de 29 de maio no Pentágono, entre representantes de ambos os lados, sob a mediação de Washington. O propósito central desse processo é estabelecer uma coordenação para o desarmamento do Hezbollah.

Segundo a imprensa libanesa, Tel Aviv afirma, no rascunho do acordo, o seu "pleno respeito pela integridade territorial e soberania do Líbano dentro de suas fronteiras internacionalmente reconhecidas". Por sua vez, Beirute assegura o compromisso de que "nenhum grupo armado não estatal, especificamente o Hezbollah, terá qualquer função militar ou de segurança, nem qualquer capacidade armada, em qualquer lugar do Líbano".

O documento declara ainda que "os cidadãos libaneses deslocados retornarão em segurança a um Sul reconstruído, sob a plena soberania do Estado libanês e sem representar qualquer ameaça a Israel". Contudo, a implementação desse cronograma está estritamente condicionada ao desarmamento prévio do grupo xiita.

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Apoiadores do Hezbollah agitam a bandeira da milícia pró-iraniana em 17 de abril de 2026 em Dahiyeh, um subúrbio de Beirute.
Apoiadores do Hezbollah agitam a bandeira da milícia pró-iraniana em 17 de abril de 2026 em Dahiyeh, um subúrbio de Beirute.
Foto: RFI

Rejeição das negociações pelo Hezbollah

Mas o movimento rejeita os termos do diálogo. "As negociações diretas" com Israel não resultaram em um cessar-fogo e mergulharam as autoridades libanesas "em um impasse (...) que as levará de compromisso em compromisso, sem nenhum resultado", criticou o deputado do Hezbollah, Hussein Hajj Hassan, neste domingo.

"O governo do Líbano mergulhou o país em (...) uma crise muito séria, já que não será capaz de implementar o que (Israel) quer, particularmente em relação ao desarmamento" do grupo, acrescentou o parlamentar.

Em relação à prorrogação da trégua, a organização afirmou que a proposta de estabelecer um mecanismo de segurança facilitado pelos EUA era apenas a mais recente de uma série de "concessões gratuitas" oferecidas "ao inimigo" pelas autoridades de Beirute.

Ainda neste domingo, dois ataques israelenses atingiram a cidade de Sohmor, no oeste do Vale do Bekaa (leste), informou a Agência Nacional de Notícias (NNA). No sul, a ofensiva atingiu cidades nas regiões de Nabatieh e Tiro, segundo a mesma fonte.

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Em contrapartida, o braço armado do Hezbollah continua reivindicando a responsabilidade por investidas contra o Exército israelense no sul do Líbano e em território vizinho, em retaliação, segundo o grupo, às violações do cessar-fogo por parte de Israel. O movimento também afirmou ter atingido um alvo militar no norte de Israel, após anunciar diversas operações contra as forças posicionadas no sul libanês, onde os israelenses ocupam parte do território.

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