O Irã desmentiu uma publicação de Donald Trump que exibia um vídeo gerado por IA alegando a destruição do polo petrolífero da Ilha de Kharg, afirmando que o local opera normalmente. O episódio ocorre em meio à escalada militar recente, na qual os EUA atacaram lançadores na Ilha de Larak e o Irã retaliou contra bases americanas na Jordânia, elevando a tensão no Estreito de Ormuz e provocando alta de quase 2% no preço internacional do petróleo.
Uma autoridade iraniana classificou como "ridícula", nesta segunda-feira, uma postagem de Donald Trump com um vídeo gerado por IA que, segundo o presidente dos EUA, mostrava o centro petrolífero iraniano da Ilha de Kharg sendo "reduzido a estilhaços".
Horas após a postagem de domingo, não havia indícios de que Kharg tivesse sido atacada. A Casa Branca e o Departamento de Defesa dos EUA não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters fora do horário comercial.
A postagem de Trump ocorreu logo após EUA e Irã retomarem as hostilidades pela primeira vez desde o final de julho, minando ainda mais as esperanças de uma resolução rápida do conflito, que já dura seis meses, e levando os preços do petróleo a uma alta de quase 2% na segunda-feira.
Forças norte-americanas atacaram no domingo dois lançadores iranianos na Ilha de Larak, no Irã, a cerca de 660 km a leste de Kharg, disse uma autoridade dos EUA, levando o Irã a retaliar com ataques a duas bases norte-americanas na Jordânia, segundo a mídia iraniana.
"A Ilha de Kharg foi reduzida a estilhaços!!!", disse Trump em sua plataforma Truth Social no domingo, sem fornecer mais detalhes.
A Reuters confirmou que um vídeo que acompanhava a postagem, mostrando explosões dramáticas, foi provavelmente gerado sinteticamente, utilizando software que detecta imagens manipuladas por IA.
"As postagens de Trump são ridículas e a situação em Kharg está calma e normal", disse Hamid Bovard, diretor-executivo da estatal National Iranian Oil Co, na segunda-feira.
As operações petrolíferas não foram interrompidas e os trabalhadores estavam ocupados reparando danos anteriores e modernizando as instalações, acrescentou ele em comentários citados pelo Nournews, um veículo semioficial próximo ao principal órgão de segurança do Irã.
IRÃ PROMETE RESPONDER A QUALQUER ATAQUE
Kharg era responsável por 90% das exportações de petróleo do Irã antes da guerra iniciada pelos ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro, e um ataque à região perturbaria gravemente o comércio de energia e exerceria enorme pressão sobre a economia.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que seu país não busca a guerra, mas responderá de forma decisiva a qualquer agressão.
"Nunca ficaremos em silêncio diante de qualquer agressão", disse ele, segundo a mídia estatal, na segunda-feira, antes de uma visita ao Quirguistão.
Não ficou claro se ele falou antes ou depois da postagem de Trump sobre a Ilha de Kharg.
Uma autoridade norte-americana afirmou que as forças atacaram os lançadores iranianos na Ilha de Larak no domingo, depois que "forças da Guarda Revolucionária Islâmica foram observadas se preparando para lançar foguetes com minas marítimas no Estreito de Ormuz".
Larak é uma pequena ilha no estreito, próxima ao estratégico porto iraniano de Bandar Abbas. O estreito, que normalmente movimenta um quinto dos embarques globais de petróleo e gás natural liquefeito, está praticamente bloqueado desde o início da guerra.
Em comunicado, o Comando Central dos EUA afirmou ter tomado medidas "limitadas e precisas" contra as forças de colocação de minas da Guarda Revolucionária do Irã, que representavam uma "ameaça iminente" no estreito. Não foram fornecidos detalhes.
Em retaliação, além de atacar as bases norte-americanas na Jordânia, o Exército iraniano disse ter também atacado a base aérea de Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos, na madrugada desta segunda-feira. No entanto, o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos negou essa informação, classificando-a como falsa.
Posteriormente, o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou que sua Força Aérea interceptou um drone que vinha do Irã sobrevoando suas águas territoriais. Não foram fornecidos mais detalhes, inclusive se o drone teria sido abatido.