Na quarta-feira, Trump anunciou o que chamou de uma operação de "guerra econômica" contra o Irã e ameaçou punir qualquer país que ofereça apoio financeiro, comercial ou institucional a Teerã. O presidente americano não detalhou as novas medidas, mas afirmou que as consequências econômicas seriam severas.
A ofensiva ocorre em meio ao impasse sobre o Estreito de Ormuz, principal ponto de pressão entre os dois países. O Irã mantém fortes restrições à navegação na região e condiciona a normalização do tráfego ao fim do bloqueio americano aos portos iranianos, à retirada das sanções sobre o petróleo e ao desbloqueio de ativos do país no exterior. Washington, por sua vez, considera a reabertura do estreito uma prioridade e mantém presença naval na região.
A passagem é estratégica para o mercado mundial de energia. Embora navios ainda consigam atravessar algumas áreas sob condições especiais, o tráfego permanece muito abaixo do normal. A situação aumenta o risco de novos impactos sobre os preços de petróleo e gás e pressiona os países do Golfo.
As negociações entre Washington e Teerã também estão praticamente paralisadas. Um entendimento alcançado em junho não avançou para um acordo definitivo, e os Estados Unidos retomaram a pressão sobre os portos e as exportações de petróleo iranianas.
Irã rebate ameaças
Ao mesmo tempo, o Irã passou a adotar uma postura militar mais agressiva. Autoridades iranianas falam em preparar operações ofensivas, e não apenas responder a ataques. Isso aumenta o risco de erro de cálculo: movimentos militares de um lado podem ser interpretados pelo outro como preparação para uma nova ofensiva.
O atual confronto, portanto, combina pressão econômica americana e pressão estratégica iraniana sobre Ormuz. Washington aposta que o isolamento econômico obrigará Teerã a negociar. O Irã aposta que a capacidade de ameaçar uma das principais rotas de energia do mundo fará com que os EUA também tenham de fazer concessões.
Com a diplomacia travada, o principal risco agora é uma nova escalada provocada pelo aumento gradual da pressão dos dois lados, mesmo sem que nenhum deles queira iniciar uma nova guerra em grande escala.
Com agências