Irã reage a Trump após nova ofensiva econômica dos EUA e tensão cresce no Estreito de Ormuz

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, criticou nesta quinta-feira (20) a nova ofensiva econômica anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em publicação na rede X, Araghchi classificou o chamado "Economic D-Day" como uma continuação de "políticas fracassadas" e afirmou que a estratégia americana poderá provocar ainda mais resistência iraniana. Segundo ele, as medidas também ameaçam a economia mundial e a soberania de outros países.

20 ago 2026 - 06h04

Na quarta-feira, Trump anunciou o que chamou de uma operação de "guerra econômica" contra o Irã e ameaçou punir qualquer país que ofereça apoio financeiro, comercial ou institucional a Teerã. O presidente americano não detalhou as novas medidas, mas afirmou que as consequências econômicas seriam severas.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, fala durante uma coletiva de imprensa conjunta com seu homólogo iraquiano, após uma reunião em Bagdá, em 28 de junho de 2026.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, fala durante uma coletiva de imprensa conjunta com seu homólogo iraquiano, após uma reunião em Bagdá, em 28 de junho de 2026.
Foto: AFP - AHMAD AL-RUBAYE / RFI

A ofensiva ocorre em meio ao impasse sobre o Estreito de Ormuz, principal ponto de pressão entre os dois países. O Irã mantém fortes restrições à navegação na região e condiciona a normalização do tráfego ao fim do bloqueio americano aos portos iranianos, à retirada das sanções sobre o petróleo e ao desbloqueio de ativos do país no exterior. Washington, por sua vez, considera a reabertura do estreito uma prioridade e mantém presença naval na região.

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A passagem é estratégica para o mercado mundial de energia. Embora navios ainda consigam atravessar algumas áreas sob condições especiais, o tráfego permanece muito abaixo do normal. A situação aumenta o risco de novos impactos sobre os preços de petróleo e gás e pressiona os países do Golfo.

As negociações entre Washington e Teerã também estão praticamente paralisadas. Um entendimento alcançado em junho não avançou para um acordo definitivo, e os Estados Unidos retomaram a pressão sobre os portos e as exportações de petróleo iranianas.

Irã rebate ameaças

Ao mesmo tempo, o Irã passou a adotar uma postura militar mais agressiva. Autoridades iranianas falam em preparar operações ofensivas, e não apenas responder a ataques. Isso aumenta o risco de erro de cálculo: movimentos militares de um lado podem ser interpretados pelo outro como preparação para uma nova ofensiva.

O atual confronto, portanto, combina pressão econômica americana e pressão estratégica iraniana sobre Ormuz. Washington aposta que o isolamento econômico obrigará Teerã a negociar. O Irã aposta que a capacidade de ameaçar uma das principais rotas de energia do mundo fará com que os EUA também tenham de fazer concessões.

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Com a diplomacia travada, o principal risco agora é uma nova escalada provocada pelo aumento gradual da pressão dos dois lados, mesmo sem que nenhum deles queira iniciar uma nova guerra em grande escala.

Com agências

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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