A Evergrande e uma subsidiária foram multadas em 15,82 bilhões de yuans, cerca de US$ 2,4 bilhões. A decisão marca o desfecho da queda de um dos maiores símbolos da crise imobiliária chinesa.
A trajetória da Evergrande foi construída sobre um modelo de forte endividamento. Durante o boom imobiliário chinês, a empresa tomou grandes volumes de crédito para comprar terrenos e lançar novos empreendimentos. Cotada na Bolsa de Hong Kong desde 2009, chegou a se tornar a maior incorporadora do país.
O modelo começou a ruir em 2020, quando Pequim restringiu o acesso ao crédito para conter o excesso de endividamento e o risco de uma bolha imobiliária. Com menos financiamento, a Evergrande enfrentou problemas de caixa, acumulou dívidas e deixou de honrar seus compromissos em 2021. Em 2024, a Justiça determinou sua liquidação e, em agosto de 2025, as ações foram retiradas da Bolsa de Hong Kong.
Segundo a Justiça, entre 2016 e 2021, Xu e a empresa inflaram artificialmente os ativos da Evergrande e ocultaram dívidas por meio de uma fraude financeira em larga escala. O tribunal também apontou o uso de subornos para obter controle sobre instituições financeiras. Xu havia se declarado culpado em abril.
Outros executivos também foram condenados. Cinco receberam penas de seis a 18 anos de prisão, enquanto 56 pessoas, incluindo dois filhos de Xu, receberam sentenças por crimes relacionados ao caso.
Crise imobiliária continua
A queda da Evergrande não encerrou a crise imobiliária chinesa. Os preços dos imóveis novos continuam em queda e os investimentos no setor seguem recuando. Outras grandes incorporadoras, como Country Garden e Vanke, também enfrentaram dificuldades financeiras.
O problema tem impacto direto sobre a economia chinesa. Durante décadas, o setor imobiliário impulsionou a construção civil, o sistema financeiro, a indústria e o consumo. A queda dos preços e a quebra de incorporadoras reduziram a confiança das famílias, levando muitos consumidores a adiar a compra de imóveis e reduzindo o valor de seu patrimônio.
Por isso, o caso Evergrande representa mais do que a falência de uma empresa. Ele expõe os limites de um modelo de crescimento baseado em crédito, construção e valorização contínua dos imóveis.
A condenação também transmite uma mensagem de Pequim ao mercado: empresas e empresários que assumirem riscos excessivos ou cometerem fraudes não devem esperar um resgate do governo. Mas a punição dos responsáveis não resolve os problemas que levaram à crise. O excesso de imóveis, o endividamento das incorporadoras, a baixa demanda e a perda de confiança dos consumidores continuam pressionando a economia chinesa.
A prisão de Xu encerra o principal capítulo jurídico da Evergrande, mas a crise que transformou a empresa em símbolo ainda está longe de terminar.
Com Reuters