China: queda do império imobiliário Evergrande termina com prisão perpétua de seu fundador

O fundador da Evergrande, Xu Jiayin, foi condenado nesta quinta-feira (20) à prisão perpétua pela Justiça chinesa por fraude financeira em larga escala e outros crimes. Aos 67 anos, o empresário, que já esteve entre os mais ricos da China, teve os bens confiscados e perdeu os direitos políticos pelo resto da vida.

20 ago 2026 - 06h49

A Evergrande e uma subsidiária foram multadas em 15,82 bilhões de yuans, cerca de US$ 2,4 bilhões. A decisão marca o desfecho da queda de um dos maiores símbolos da crise imobiliária chinesa.

Cartaz da Evergrande perto de um complexo de apartamentos em Pequim, em 27 de setembro de 2023.
Cartaz da Evergrande perto de um complexo de apartamentos em Pequim, em 27 de setembro de 2023.
Foto: REUTERS - Florence Lo / RFI

A trajetória da Evergrande foi construída sobre um modelo de forte endividamento. Durante o boom imobiliário chinês, a empresa tomou grandes volumes de crédito para comprar terrenos e lançar novos empreendimentos. Cotada na Bolsa de Hong Kong desde 2009, chegou a se tornar a maior incorporadora do país.

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O modelo começou a ruir em 2020, quando Pequim restringiu o acesso ao crédito para conter o excesso de endividamento e o risco de uma bolha imobiliária. Com menos financiamento, a Evergrande enfrentou problemas de caixa, acumulou dívidas e deixou de honrar seus compromissos em 2021. Em 2024, a Justiça determinou sua liquidação e, em agosto de 2025, as ações foram retiradas da Bolsa de Hong Kong.

Segundo a Justiça, entre 2016 e 2021, Xu e a empresa inflaram artificialmente os ativos da Evergrande e ocultaram dívidas por meio de uma fraude financeira em larga escala. O tribunal também apontou o uso de subornos para obter controle sobre instituições financeiras. Xu havia se declarado culpado em abril.

Outros executivos também foram condenados. Cinco receberam penas de seis a 18 anos de prisão, enquanto 56 pessoas, incluindo dois filhos de Xu, receberam sentenças por crimes relacionados ao caso.

Crise imobiliária continua

A queda da Evergrande não encerrou a crise imobiliária chinesa. Os preços dos imóveis novos continuam em queda e os investimentos no setor seguem recuando. Outras grandes incorporadoras, como Country Garden e Vanke, também enfrentaram dificuldades financeiras.

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O problema tem impacto direto sobre a economia chinesa. Durante décadas, o setor imobiliário impulsionou a construção civil, o sistema financeiro, a indústria e o consumo. A queda dos preços e a quebra de incorporadoras reduziram a confiança das famílias, levando muitos consumidores a adiar a compra de imóveis e reduzindo o valor de seu patrimônio.

Por isso, o caso Evergrande representa mais do que a falência de uma empresa. Ele expõe os limites de um modelo de crescimento baseado em crédito, construção e valorização contínua dos imóveis.

A condenação também transmite uma mensagem de Pequim ao mercado: empresas e empresários que assumirem riscos excessivos ou cometerem fraudes não devem esperar um resgate do governo. Mas a punição dos responsáveis não resolve os problemas que levaram à crise. O excesso de imóveis, o endividamento das incorporadoras, a baixa demanda e a perda de confiança dos consumidores continuam pressionando a economia chinesa.

A prisão de Xu encerra o principal capítulo jurídico da Evergrande, mas a crise que transformou a empresa em símbolo ainda está longe de terminar.

Com Reuters

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