O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, enviou neste sábado (16) uma mensagem ao papa Leão XIV na qual elogiou sua posição diante da guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.
Segundo agências iranianas, o líder iraniano classificou as declarações do Papa como "morais, lógicas e justas".
Segundo a agência estatal IRNA, Pezeshkian agradeceu ao pontífice pelos apelos em favor da paz e pela defesa da diplomacia em meio à escalada militar no Oriente Médio.
"Envio a Sua Santidade as minhas mais calorosas e sinceras saudações e agradeço-lhe pela sua postura moral, lógica e justa em relação aos ataques perpetrados em 28 de fevereiro pelo governo dos Estados Unidos", afirmou o líder iraniano.
Pezeshkian também pediu que os países do mundo se posicionem contra o que chamou de exigências "ilegais" de Washington.
De acordo com ele, a ofensiva israelense-americana resultou na morte de líderes políticos e militares iranianos, além de milhares de civis, e provocou danos severos à infraestrutura do país, incluindo escolas, universidades, hospitais e locais de culto.
Na mensagem, o presidente iraniano acusou os Estados Unidos e Israel de cometerem "claros crimes de guerra" e afirmou que a intenção declarada do governo norte-americano de "destruir a civilização histórica do Irã" demonstra, segundo ele, "uma ilusão de poder absoluto".
Pezeshkian ressaltou ainda que diferentes comunidades religiosas convivem pacificamente no Irã há séculos e declarou que o país "nunca ameaçou seus vizinhos". Contudo, justificou as ações militares iranianas na região do Golfo Pérsico como medidas de autodefesa após o uso de bases americanas em países costeiros para ataques contra o território iraniano.
Ao comentar a situação no Estreito de Ormuz, o presidente afirmou que a insegurança atual decorre dos ataques e do bloqueio naval promovido pelos Estados Unidos. Segundo ele, o trânsito marítimo normal será retomado assim que a estabilidade for restaurada, respeitando os mecanismos previstos pelo direito internacional.
Por fim, reafirmou o compromisso de Teerã com a diplomacia e mencionou negociações mediadas pelo Paquistão, apesar do que descreveu como "repetidas traições" dos Estados Unidos.
"A posição do Irã contra as exigências ilegais do governo dos EUA é uma defesa do direito internacional, de elevados princípios éticos e de valores humanos", escreveu ele, instando a uma resposta internacional realista e justa.
Pezeshkian concluiu reafirmando o compromisso do Irã com o diálogo e com a resolução pacífica, legal e ética de disputas.
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