O Irã afirmou que poderá suspender as negociações de paz caso os Estados Unidos insistam em ameaçar o país.
"O parágrafo 13 do Memorando de Entendimento é claro: as negociações sobre o acordo final não começarão se as ameaças continuarem. Honrem a sua assinatura", declarou nesta terça-feira (7) o ministro das Relações Exteriores de Teerã, Abbas Araghchi, em uma publicação no X.
O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional (Snsc) do país persa, Mohammad Bagher Zolghadr, também reagiu às palavras do presidente americano, Donald Trump, que ontem insinuou: "Ou os EUA farão um acordo ou terminarão o serviço", referindo-se a novos ataques.
"Não quero atingir 91 milhões de pessoas", acrescentou Trump.
"Fale com o povo iraniano com respeito, ou então lhe responderemos em uma linguagem diferente", respondeu Zolghadr, antes de questionar: "Como o presidente de um país sem raízes profundas, com uma história de apenas 250 anos, fala em destruir milênios de civilização iraniana?".
Para Zolghadr, o que Trump conseguiu com a guerra em curso no Oriente Médio "não foi nada além de derrota, desespero e pedidos de negociações e cessar-fogo com o Irã".
"Os iranianos não entendem a linguagem das ameaças", pontuou o chefe do Snsc.
As declarações de Teerã ocorrem em meio ao funeral do ex-líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, morto no primeiro dia dos ataques conjuntos realizados pelos EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.
Milhares de pessoas acompanharam o cortejo fúnebre pela capital persa, que hoje prossegue pela cidade santa de Qom, antes de seguir para Najaf e Karbala, no Iraque, amanhã. Na quinta-feira (9), o ex-líder supremo será sepultado em Mashhad, sua terra natal.