A Índia apreendeu três petroleiros sancionados pelos EUA ligados ao Irã este mês e intensificou a vigilância em sua zona marítima para coibir o comércio ilícito, disse uma fonte na segunda-feira, confirmando uma publicação no X pelas autoridades indianas no início de fevereiro que havia sido excluída.
A Índia pretende impedir que suas águas sejam usadas para transferências entre navios que ocultam a origem das cargas de petróleo, disse a fonte com conhecimento direto do assunto à Reuters.
As apreensões e o aumento da vigilância seguem uma melhora nas relações entre os EUA e a Índia. Washington anunciou no início deste mês que reduzirá as tarifas de importação de produtos indianos de 50% para 18%, depois que Nova Delhi concordou em interromper as importações de petróleo russo.
Os três navios sancionados — Stellar Ruby, Asphalt Star e Al Jafzia — mudavam frequentemente de identidade para fugir à aplicação da lei pelos estados costeiros, disse a fonte, acrescentando que os seus proprietários estavam sediados no estrangeiro.
NAVIOS APREENDIDOS AO LARGO DE MUMBAI
A mídia estatal iraniana citou a Companhia Nacional de Petróleo Iraniana afirmando que os três petroleiros apreendidos pela Índia não tinham nenhuma ligação com a empresa. Ela afirmou que nem as cargas nem os navios estavam ligados à empresa.
As autoridades indianas afirmaram em uma publicação no X em 6 de fevereiro que interceptaram três navios a cerca de 100 milhas náuticas a oeste de Mumbai após detectarem atividades suspeitas envolvendo um petroleiro na zona econômica exclusiva da Índia.
A publicação foi posteriormente excluída, mas a fonte confirmou que os navios foram escoltados até Mumbai para investigação adicional.
Desde então, a Guarda Costeira indiana mobilizou cerca de 55 navios e entre 10 e 12 aeronaves para vigilância 24 horas por dia em suas zonas marítimas, de acordo com a fonte.
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA disse no ano passado que havia sancionado três embarcações, chamadas Global Peace, Chil 1 e Glory Star 1, com números IMO idênticos aos navios recentemente capturados pela Índia.
Dois dos três petroleiros estão ligados ao Irã, com o Al Jafzia tendo transportado óleo combustível do Irã para Djibuti em 2025 e o Stellar Ruby com bandeira do Irã, de acordo com dados da LSEG.
O Asphalt Star operava principalmente em viagens pela China, mostram os dados.
O petróleo e o combustível sancionados são frequentemente vendidos com grandes descontos devido aos riscos envolvidos, com intermediários movimentando a carga por meio de estruturas complexas de propriedade, documentação falsa e transferências em alto mar que complicam a fiscalização.