Grandes incêndios florestais impulsionados por fortes ventos atingem a Costa Amalfitana, no sul da Itália, ameaçando residências e forçando evacuações pontuais, sobretudo em Agerola. Bombeiros e aeronaves combatem o fogo, que causou a interdição da rodovia Amalfi Drive e severos danos ambientais. Apesar de não haver vítimas ou causas oficiais confirmadas, autoridades locais e ambientalistas suspeitam de ação criminosa e cobram medidas rigorosas de combate e prevenção contra os focos.
Incêndios florestais de grandes proporções atingem desde a noite da última segunda-feira (14) diferentes áreas da Costa Amalfitana e provocaram evacuações no sul da Itália nesta terça (15).
As chamas avançam por várias frentes, impulsionadas por ventos fortes, e já chegaram perto de residências em algumas localidades.
Em Positano, Amalfi e Tovere di Amalfi, equipes do Corpo de Bombeiros trabalham para conter os focos e proteger as áreas habitadas.
Até o momento, não foram registrados feridos nem danos a residências nessas localidades. Também não houve necessidade de evacuação generalizada, embora alguns hóspedes de estabelecimentos tenham deixado os locais voluntariamente por precaução.
A situação é mais preocupante em Agerola, especialmente na localidade de Borgo San Lazzaro, onde as chamas chegaram perigosamente perto das casas. As autoridades determinaram a retirada temporária de moradores das áreas ameaçadas, com auxílio de voluntários da Defesa Civil.
O incêndio também se propagou em direção a Tordigliano e às áreas próximas às divisas entre Poggerola, Agerola, Vico Equense e Piano di Sorrento. Segundo autoridades locais, o fogo provoca danos extensos à vegetação e à fauna.
Duas aeronaves Canadair foram mobilizadas para auxiliar no combate aos focos de difícil acesso. Uma delas, procedente de Lamezia Terme, já opera na região, enquanto outra foi deslocada para reforçar a operação. Helicópteros regionais também participam dos trabalhos, embora os ventos tenham dificultado a operação pelo ar em alguns pontos.
No solo, atuam equipes dos bombeiros de Salerno, Maiori, Nocera e Sarno, reforçadas por unidades de Caserta, Castellammare di Stabia e Nápoles. Voluntários da Proteção Civil e equipes especializadas dos Montes Lattari também participam das operações.
O prefeito de Amalfi, Daniele Milano, afirmou que nunca havia presenciado incêndios dessa dimensão durante seus 11 anos no cargo. Segundo ele, as chamas chegaram perto de casas durante a noite e se espalharam rapidamente devido ao vento.
"Não sei quem está por trás desses incêndios, mas certamente não são naturais", declarou o prefeito à ANSA.
Jardins e terraços agrícolas foram atingidos, e um trecho de uma estrada provincial precisou ser interditado preventivamente.
Em Agerola, o vice-prefeito Luca Mascolo também classificou o incêndio como "um ato criminoso" e enfatizou que as chamas avançaram durante a noite de Amalfi em direção a Vico Equense, enquanto as equipes trabalhavam sob condições difíceis.
Apesar das suspeitas, as causas dos incêndios ainda não foram oficialmente determinadas.
Como medida de segurança, um trecho da Rodovia Estadual 163, conhecida como Amalfi Drive, foi interditado nos dois sentidos na área entre Piano di Sorrento e Vico Equense.
A medida foi adotada porque o incêndio atinge a encosta próxima à estrada. Equipes da agência rodoviária italiana Anas, dos bombeiros e das forças de segurança permanecem no local para controlar o tráfego e acompanhar a evolução das chamas.
A organização ambientalista Legambiente classificou os incêndios como uma ameaça grave ao patrimônio natural e à economia da Costa Amalfitana e da Costa de Sorrento.
Mariateresa Imparato, presidente da Legambiente Campânia, afirmou que os incêndios representam uma ameaça à biodiversidade, às áreas agrícolas e às atividades econômicas da região e defendeu uma estratégia integrada de prevenção, detecção, monitoramento e combate aos incêndios florestais.
A entidade também pediu maior rigor na aplicação das leis contra incêndios criminosos e a atualização dos registros das áreas atingidas pelo fogo, como forma de evitar futuras especulações imobiliárias.