Um exército de agentes brutais com o rosto coberto: eis como o Serviço de Imigração e Alfândegas (Immigration and Customs Enforcement - ICE) tem atuado nos Estados Unidos de Donald Trump, que mobilizou 3 mil desses homens somente em Minneapolis, de uma força total de cerca de 22 mil, para mostrar quem realmente manda nas cidades americanas.
Segundo o site oficial do ICE, a missão oficial da agência é "proteger os Estados Unidos por meio da aplicação das leis de imigração para preservar a segurança nacional e a ordem pública".
Entretanto, até agora suas forças foram mobilizadas em cidades governadas por democratas, como Chicago, Los Angeles, Washington, Nova York, Nova Orleans, Portland e Oregon, municípios considerados "santuários" para imigrantes ilegais ameaçados de deportação, onde a atuação violenta do ICE se fez imperar.
Em Portland, Trump fez uso drástico do Serviço de Imigração ainda em seu primeiro mandato, em 2020, quando o envio massivo de 1,5 mil agentes federais combateu os manifestantes que protestavam pelo assassinato do afro-americano George Floyd por um policial de Minneapolis, polarizando a opinião pública e reforçando a narrativa do republicano de "uma cidade mergulhada no caos urbano com a necessidade de ordem".
A mensagem para administrações progressistas, como a de Minneapolis atualmente, é que a autonomia local das cidades tem limites, justificando a intervenção do governo federal.
Desde que Trump retornou à Casa Branca, há um ano, prometendo uma repressão à imigração, o número de membros do ICE mais que dobrou, indo de 10 mil a 22 mil. Isso porque houve uma vasta campanha de recrutamento que, segundo muitos críticos, ocorreu sem um treinamento adequado.
Outro problema da agência deve-se à mentalidade dos agentes.
Grupos como a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) acusam funcionários do ICE de ter uma cultura "paramilitar", através de uma percepção alimentada pelo uso de máscaras para manter o anonimato e pela propensão dos agentes federais a atirar sem pensar: como aconteceu em Minneapolis, onde Alex Pretti, "desarmado", segundo testemunhas e vídeos, foi morto a tiros no sábado (24).
Em 7 de janeiro, quando Renee Good foi morta por agentes da imigração, o New York Times estimou que, nos quatro meses anteriores, forças do ICE abriram fogo pelo menos oito vezes contra pessoas em veículos, alegando, assim como aconteceu em Minneapolis, "legítima defesa". Desde o ano passado, pelo menos 11 tiroteios envolveram funcionários do Serviço de Imigração e Alfândegas.