A Unicef, agência da ONU voltada para a infância, afirmou nesta terça-feira que, pela primeira vez em dois anos e meio, conseguiu entregar kits escolares em Gaza, após eles terem sido bloqueados anteriormente pelas autoridades israelenses.
Segundo a Unicef, milhares de kits, que incluem lápis, cadernos e cubos de madeira para brincar, já chegaram ao enclave.
"Nos últimos dias, recebemos milhares de kits recreativos e centenas de kits escolares de papelão. Estamos prevendo receber mais 2.500 kits escolares na próxima semana, pois eles foram aprovados", disse o porta-voz da Unicef, James Elder.
Um porta-voz do Cogat, o braço das forças armadas israelenses que supervisiona o fluxo de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, confirmou que recentemente permitiu que a Unicef levasse kits de aprendizagem, mas não livros didáticos. Um porta-voz do Cogat disse à Reuters que os kits de aprendizagem foram permitidos em diversas ocasiões durante a guerra, sem especificar como.
As crianças em Gaza enfrentaram um ataque sem precedentes ao sistema educacional, bem como restrições à entrada de alguns materiais de auxílio, incluindo cadernos e lápis escolares, o que significa que os professores tiveram que se virar com recursos limitados, enquanto as crianças tentavam estudar à noite em tendas sem luz, disse Elder.
Durante o conflito, algumas crianças ficaram completamente sem acesso à educação, enfrentando desafios básicos como encontrar água, além de desnutrição generalizada, em meio a uma grande crise humanitária.
"Foram dois longos anos para as crianças e para organizações como a Unicef, tentando realizar essa educação sem esses materiais. Parece que finalmente estamos vendo uma mudança real", afirmou Elder.
ENSINANDO EM TENDAS
A Unicef está ampliando seus esforços na área da educação para oferecer apoio a metade das crianças em idade escolar -- cerca de 336 mil. As aulas acontecerão principalmente em tendas, disse Elder, devido à destruição generalizada de prédios escolares no enclave durante a guerra.
Pelo menos 97% das escolas sofreram algum tipo de dano, de acordo com a avaliação mais recente feita por satélite pela ONU, em julho.
Israel já acusou o Hamas e outros grupos militantes de se infiltrarem sistematicamente em áreas e estruturas civis, incluindo escolas, e de usarem civis como escudos humanos.
A maior parte dos espaços de aprendizagem apoiados pela Unicef estará localizada nas áreas central e sul do enclave, já que continua difícil operar no norte, disse Elder.
O ataque liderado pelo Hamas em outubro de 2023, que desencadeou a guerra, matou 1.200 pessoas, segundo dados israelenses. Já a reação de Israel matou 71.000 palestinos, de acordo com as autoridades de saúde de Gaza. Mais de 20.000 crianças foram mortas, incluindo 110 desde o cessar-fogo de 10 de outubro do ano passado, informou a Unicef, citando dados oficiais.