Houthis atacam aeroporto de Áden e combates se intensificam no Iêmen

7 out 2026 - 08h13
Resumo
Rebeldes houthis atacaram o aeroporto internacional de Áden e miraram Riad com drones e mísseis, intensificando a guerra no Iêmen contra forças apoiadas pela Arábia Saudita. Os confrontos se concentram no estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, onde tropas governamentais tentam retomar territórios como Mocha e Dhubab. O avanço da violência agrava a crise humanitária no país, impulsionada pela disputa geopolítica entre EUA e Irã, e ameaça rotas vitais de energia e o comércio marítimo global.

Os houthis do ‌Iêmen atacaram o aeroporto internacional de Áden com mísseis balísticos e drones carregados de explosivos na quarta-feira, informou o Ministério dos Transportes do país, à medida que os combates entre o grupo alinhado ao Irã e as forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita se intensificam.

Nos últimos dias, os combates têm se concentrado nas áreas ao redor do Estreito de Bab el-Mandeb, uma rota marítima que se tornou ainda ⁠mais crucial para as exportações de energia desde que o conflito entre os EUA e o Irã restringiu ‌o comércio pelo Estreito de Ormuz.

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Nesta semana, as forças governamentais iemenitas, com apoio aéreo da coalizão liderada pela Arábia Saudita, lançaram uma contra-ofensiva para recapturar território estratégico próximo ao estreito e ao redor ‌da cidade de Mocha, que os houthis haviam tomado em setembro, ‌mas não está claro se seu avanço será sustentado.

Os combates, uma ramificação do conflito mais ⁠amplo entre EUA e Irã, reacenderam uma complexa guerra de 12 anos no Iêmen que levou a uma das piores crises humanitárias do mundo e fragmentou o país mais empobrecido do mundo árabe.

Os houthis têm repetidamente atacado infraestruturas, incluindo aeroportos, refinarias de petróleo e oleodutos na Arábia Saudita, aliada dos EUA.

Na quarta-feira, a coalizão liderada pela Arábia Saudita informou ter interceptado e destruído um míssil balístico houthi ao norte da ‌capital saudita, Riad. A coalizão afirmou estar rastreando a plataforma de lançamento sobre Sanaa, controlada pelos houthis, e ‌que a destruiria, mas não ⁠forneceu detalhes sobre vítimas ou ⁠danos.

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O porta-voz militar houthi, Yahya Saree, disse em comunicado que o grupo havia atacado o Aeroporto Internacional Rei Khalid, ⁠em Riad, com vários drones. Não houve confirmação imediata ‌da Arábia Saudita sobre um ataque ‌ao aeroporto.

BATALHAS NO ESTREITO

Os combates no front ocidental continuam concentrados no distrito de Dhubab, com vista para Bab el-Mandeb, com as forças pró-governo tentando avançar nas colinas estratégicas a leste daquela planície costeira, segundo fontes militares e governamentais iemenitas. Ocorreram confrontos violentos, com os houthis alegando ter repelido ⁠os ataques.

Na segunda-feira, o governo iemenita afirmou ter chegado a Mocha, que fica em um entroncamento com uma rota de abastecimento para o campo de batalha crucial de Taiz, mas a afirmação foi prematura, segundo oficiais militares iemenitas no local e analistas.

Hussam Radman, pesquisador do Sanaa Center, um instituto especializado no Iêmen, disse que as forças pró-governo, incluindo a ‌Brigada dos Gigantes — um grupo salafista sunita conservador que liderou a contra-ofensiva — estão tentando assumir o controle de Dhubab e avançar nas montanhas a leste da cidade.

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O controle dessas regiões montanhosas permitiria que ⁠as forças governamentais avançassem mais facilmente pelo restante da costa, segundo ele.

AEROPORTO ATINGIDO

Ao longo da costa leste do Iêmen, um míssil caiu perto da pista do Aeroporto Internacional de Áden minutos antes de um voo proveniente do Cairo pousar, informou o Ministério dos Transportes. As autoridades cancelaram o pouso e desviaram a aeronave para Jeddah, enquanto duas aeronaves que estavam na pista foram retiradas da área por receio de novos ataques, acrescentou o ministério. Não houve comentário imediato por parte dos houthis.

O Aeroporto Internacional de Áden é a principal porta de entrada internacional para regiões do Iêmen fora do controle dos houthis.

Os houthis, que controlam grande parte do norte do Iêmen, tomaram a capital Sanaa em 2014, levando uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita — temendo a influência do rival Irã no Iêmen e o caos em suas fronteiras — a intervir. Um acordo de trégua mediado pela ONU em 2022 interrompeu em grande parte os combates intensos, mas não levou a um acordo duradouro.

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