Israelenses marcam três anos desde 7 de outubro e palestinos lamentam destruição de Gaza

7 out 2026 - 09h41
Resumo
Três anos após os ataques do Hamas em 7 de outubro, que deixaram 1.200 mortos e 251 reféns em Israel, israelenses homenagearam as vítimas e protestaram contra Benjamin Netanyahu, exigindo apuração sobre falhas de segurança antes das eleições. Enquanto isso, palestinos lamentam a devastação de Gaza, onde a ofensiva de Israel já matou mais de 74 mil pessoas e causou deslocamentos em massa, em um conflito persistente que continua sem resolução definitiva apesar de tréguas parciais.

Israelenses se reuniram ‌em silêncio na quarta-feira em um kibutz próximo à fronteira com Gaza que foi invadido por militantes do Hamas em 7 de outubro há três anos, lamentando as vítimas dos ataques que desencadearam a ofensiva de Israel em Gaza e mergulharam o Oriente Médio na guerra.

Na Faixa de Gaza, devastada por dois anos de bombardeios israelenses, palestinos abrigados entre as ruínas de cidades ⁠destruídas relembraram a vida antes de uma guerra que deslocou quase toda a população e separou ‌famílias.

Publicidade

Os ataques de 7 de outubro de 2023 marcaram o dia mais sangrento da história de Israel. Militantes liderados pelo Hamas mataram 1.200 pessoas e fizeram 251 reféns, uma incursão transfronteiriça ‌que traumatizou os israelenses, que exigiram que o governo prestasse ‌contas.

Os bombardeios e operações terrestres subsequentes de Israel em Gaza mataram mais de 74 ⁠mil pessoas, incluindo pelo menos 1.400 mortas no último ano, desde o cessar-fogo mediado pelos EUA, que interrompeu os principais combates, mas não conseguiu impedir os ataques israelenses nem garantir o desarmamento do Hamas.

"UM DIA MUITO DIFÍCIL"

Em Kfar Aza, onde militantes do Hamas mataram dezenas de israelenses antes de levar 19 reféns para Gaza, os moradores realizaram uma vigília em memória dos mortos, permanecendo ‌em silêncio enquanto uma trombeta tocava uma chamada solene. Um morador leu em voz alta a ‌lista dos falecidos.

Publicidade

Zion Regev, líder comunitário ⁠do kibutz, disse que ⁠a maioria dos moradores continua deslocada e ainda não retornou, com o trauma de 7 de outubro continuando ⁠a marcar suas vidas.

"É a primeira vez que ‌estamos realizando todas essas atividades aqui ‌no kibutz", disse Regev sobre a vigília. "É um dia muito emocionante, é um dia muito difícil para nossa comunidade, três anos depois de 7 de outubro."

Em outras partes de Israel, manifestantes que protestavam contra o que consideram uma falta de responsabilização pela falha de ⁠segurança se reuniram em frente ao Parlamento, em Jerusalém, culpando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu por se recusar a permitir uma investigação independente sobre o ataque.

Alguns manifestantes seguravam cartazes com os dizeres: "O povo vai se lembrar do dia 7 de outubro no dia 27 de outubro", uma referência às eleições gerais israelenses que ocorrerão daqui a ‌20 dias e que estão sendo vistas como um referendo sobre o longo mandato de Netanyahu no poder.

Publicidade

"Precisamos de mudança, precisamos de esperança e precisamos saber que temos um governo que ⁠se preocupa com o público e não trabalha apenas para si mesmo", disse o manifestante Shaked Arrad.

Netanyahu rejeitou a culpa pela falha de segurança e resistiu aos apelos por uma investigação independente. Isso frustrou muitos em Israel, incluindo as famílias das vítimas fatais dos ataques, algumas das quais entraram na disputa eleitoral.

Na véspera do aniversário, ele disse em uma reunião do gabinete que os israelenses "lembram com pesar e dor nossos heróis que morreram na Guerra da Redenção e nossos irmãos e irmãs que morreram no terrível massacre nas comunidades da fronteira com Gaza".

As pesquisas eleitorais mostram que nem Netanyahu nem seus principais concorrentes conseguiriam reunir assentos suficientes no Parlamento para formar uma coalizão se a votação ocorresse hoje.

Publicidade
Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se