Um homem matou a tiros o próprio filho por ser homossexual, além da esposa, que apoiava o rapaz de 24 anos. O crime aconteceu no vilarejo italiano de Pieve di Camaiore, província de Lucca, na Toscana, na quarta-feira (24).
"Me livrei deles", disse Piero Moriconi, de 63 anos, a parentes enquanto aguardava a chegada da polícia em sua casa após ter assassinado Kathy Andreoni, de 52 anos, e o filho do casal, Mirko Moriconi, com um fuzil de caça.
De acordo com as investigações conduzidas pela promotora Elena Leone, os conflitos familiares eram comuns na residência dos Moriconi, já que Piero não aceitava a homossexualidade do filho.
O jovem atuava como garçom e gostava de cantar como amador.
No estabelecimento onde trabalhava há quatro anos, em Viareggio, Mirko também animava as noites do local ao realizar karaokês e, assim, garantir um adicional no salário no final do mês.
O rapaz chegou a passar em uma consulta médica no centro para transgêneros em Torre del Lago, revelou a responsável pelo consultório, Regina Satariano.
Segundo relatos, Kathy havia apoiado o filho em suas escolhas; no entanto, com o passar do tempo, o atrito e os conflitos familiares teriam se intensificado, já que Piero também se incomodava com o comportamento da esposa.
Ontem, Mirko retornou para a casa dos pais após ter almoçado com uma tia que vive na vizinhança. Pouco depois, os disparos da arma de Piero romperam o silêncio no vilarejo toscano.
"Mirko era violento e costumava me ameaçar. Ele vivia me pedindo dinheiro e fez isso de novo hoje [quarta-feira]. Então discutimos mais uma vez e eu atirei nele e na minha esposa", afirmou Piero às autoridades ao negar que teria matado o filho por homofobia, acrescentando que o jovem "lutava contra a dependência de drogas e álcool", sendo "incontrolável, com problemas psiquiátricos".
Em relação ao assassinato de Kathy, o homem justificou o crime ao dizer que "ela queria ir embora de casa" e deixá-lo "sozinho com os problemas de Mirko".
As declarações do pai do jovem contradizem depoimentos de diversas testemunhas que conviveram com mãe e filho.
"Vi os vídeos em que você [Mirko] cantava as minhas músicas: o seu amor pela música, o seu sonho de ser livre e o orgulho que você sentia de ser você mesmo. Meus pensamentos estão com você e com a sua mãe, que sempre o apoiou e lhe deu todo o amor que você merecia", escreveu no Instagram a cantora Noemi.
"Nós o [Mirko] adorávamos. Quando ele servia as mesas, sempre cantava com os clientes, era a sua paixão", disseram os empregadores do rapaz.
Elogios semelhantes vieram do trabalho de Kathy, que atuava como cuidadora de idosos.
"Ela sempre foi muito competente e cordial, tinha um ótimo relacionamento com os colegas e com os pacientes", afirmou madre Faustina, responsável pelo asilo.
Piero segue detido, acusado de duplo homicídio doloso qualificado pelo vínculo familiar.