"Atualmente, infelizmente, temos de informar que 188 venezuelanos morreram, 1.520 ficaram feridos e 157 estão desaparecidos", declarou Jorge Rodríguez durante um pronunciamento na televisão, revisando para cima o balanço inicial de 164 mortos e 1.000 feridos divulgado na manhã de quinta-feira por sua irmã, Delcy Rodríguez, presidente interina.
Nesta quinta, muitos venezuelanos tentavam resgatar familiares presos sob os escombros de edifícios que desabaram. Muitos prédios ficaram em ruínas ou inclinados na região do epicentro do terremoto, onde famílias angustiadas buscam localizar desaparecidos soterrados.
A área mais afetada é a região de La Guaira, ao norte da capital, Caracas, onde se localizam o Aeroporto Internacional de Maiquetía — fechado devido a graves danos — e a cidade costeira de Catia La Mar, onde vários edifícios desabaram e saques foram registrados. Homens e mulheres foram vistos saindo de um mercado parcialmente incendiado carregando sacolas de alimentos nos braços, segundo a AFP.
Ajuda internacional
Os esforços de ajuda internacional estão sendo mobilizados e exigirão um "enorme esforço coletivo", alertou nesta quinta-feira o chefe de Assuntos Humanitários da ONU, Tom Fletcher.
Os Estados Unidos prometeram uma resposta "significativa", "rápida e eficaz", segundo o secretário de Estado, Marco Rubio, e enviarão "imediatamente" ajuda e equipes de resgate. China, Índia e até mesmo o Irã — tradicional aliado de Caracas —, além de diversos países da União Europeia e da América Latina, incluindo o Brasil, também ofereceram assistência, enviando equipes de busca e suprimentos médicos. Delcy Rodríguez, declarou estado de emergência.
Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicam que o terremoto de magnitude 7,5 foi o mais forte a atingir a Venezuela desde 1900.
Um primeiro tremor, de magnitude 7,2, ocorreu a uma profundidade de 21,9 quilômetros, cerca de 200 quilômetros a oeste de Caracas, e foi seguido, 39 segundos depois, por um segundo terremoto de magnitude 7,5 e profundidade de 10 quilômetros, com epicentro localizado a 45 quilômetros de distância. Posteriormente, foram registradas cerca de vinte réplicas, segundo o USGS.
Vulnerabilidade
Em Caracas, onde vários edifícios desabaram, as ruas estão cobertas de vidro quebrado, e muitas pessoas passaram a noite ao relento ou dentro de seus carros.
Também foram relatadas interrupções no fornecimento de energia. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, afirmou ter ordenado o corte do abastecimento de gás para "prevenir acidentes". Na manhã de quinta-feira, quase nenhum comércio estava aberto, e o trânsito era intenso, com muitos moradores procurando refúgio longe de edifícios instáveis.
"Mesmo antes desses terremotos, quase 8 milhões de pessoas na Venezuela precisavam de assistência humanitária", observou Fletcher.
"Este desastre ameaça agravar as vulnerabilidades já existentes", alertou o chefe de Assuntos Humanitários da ONU. "O apoio internacional contínuo às organizações humanitárias que atuam no local é essencial e urgente", enfatizou.
Embora o Aeroporto Internacional de Maiquetía, que atende a capital venezuelana, tenha sido fechado devido a "graves danos à infraestrutura", segundo Rodríguez, Caracas poderá utilizar o aeroporto militar de La Carlota, localizado na região metropolitana, para receber ajuda internacional.
Com AFP