Brasil e o mundo se mobilizam após terremotos devastadores na Venezuela

A comunidade internacional iniciou uma ampla mobilização para apoiar a Venezuela após os dois fortes terremotos que atingiram o país na quarta-feira (24), deixando ao menos 164 mortos, mais de mil feridos e provocando o colapso de dezenas de edifícios, principalmente na região de Caracas e no estado de La Guaira.

25 jun 2026 - 07h26

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade à Venezuela após os terremotos que atingiram o país e afirmou ter recebido a notícia da tragédia "com grande preocupação e consternação". Em nota divulgada nesta quinta-feira (25), Lula reiterou a disposição do Brasil de colaborar com a recuperação das áreas afetadas.

"Reafirmo nossa determinação de apoiar o governo da presidente encarregada Delcy Rodríguez na recuperação das zonas afetadas desse país irmão, cujo povo tem dado provas de grande resiliência diante das adversidades", declarou o presidente brasileiro.

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Na América Latina, México, El Salvador, Equador, República Dominicana, Chile, Argentina, Uruguai, Cuba e Costa Rica também ofereceram apoio. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, informou que já determinou a preparação de equipes especializadas em resgate e saúde. O presidente salvadorenho, Nayib Bukele, colocou à disposição 300 socorristas, paramédicos e 50 toneladas de equipamentos e medicamentos. Já o presidente equatoriano, Daniel Noboa, anunciou o envio imediato de ajuda humanitária, enquanto a República Dominicana confirmou o deslocamento de equipes militares especializadas em busca e resgate.

EUA e União Europeia oferecem ajuda técnica a Caracas

Os Estados Unidos foram um dos primeiros países a anunciar ajuda concreta. O secretário de Estado, Marco Rubio, informou que Washington iniciou imediatamente o envio de equipes de busca e resgate, recursos médicos e assistência humanitária. Segundo ele, a ação ocorre por determinação do presidente Donald Trump, que também manifestou solidariedade às vítimas e às famílias afetadas.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou ter conversado por telefone com Rubio e agradeceu o apoio oferecido por Washington. Em mensagem divulgada nas redes sociais, a líder venezuelana afirmou que o secretário de Estado expressou solidariedade ao povo venezuelano e colocou os Estados Unidos à disposição para colaborar nas operações de emergência.

A União Europeia também colocou sua estrutura de resposta a desastres à disposição das autoridades venezuelanas. A comissária europeia para Gestão de Crises, Hadja Lahbib, afirmou que o bloco está preparado para ampliar a assistência humanitária e anunciou a ativação do sistema de monitoramento por satélite Copernicus. A ferramenta fornecerá imagens e dados em tempo real para auxiliar as equipes de resgate na identificação das áreas mais afetadas e no planejamento das operações de socorro.

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A Alemanha informou que seis aeronaves militares podem ser disponibilizadas para missões de apoio humanitário, transporte de equipes especializadas e envio de suprimentos emergenciais. 

A Espanha informou que 54 soldados da unidade de resposta a emergências do exército espanhol prontos para serem enviados a Caracas.

Na França, o presidente Emmanuel Macron anunciou o envio imediato de uma equipe de 85 socorristas franceses especializados em operações de busca e salvamento. Em uma mensagem no X, Macron disse que conversou com Delcy Rodríguez para expressar a solidariedade da França, afirmando que o país "está pronto, juntamente com seus parceiros europeus, para prestar assistência às populações afetadas, em resposta às necessidades expressas pelas autoridades venezuelanas". 

China e Índia se mobilizam

Na Ásia, a China declarou estar pronta para fornecer toda a ajuda necessária de acordo com as demandas apresentadas pelo governo venezuelano. O porta-voz do ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, afirmou que Pequim acompanha a situação com preocupação e não recebeu informações sobre vítimas entre membros da comunidade chinesa residente no país.

A Índia também ofereceu apoio. Em comunicado oficial, o primeiro-ministro Narendra Modi afirmou estar profundamente entristecido com a devastação causada pelos terremotos e expressou solidariedade às vítimas. O líder indiano declarou que seu país está preparado para prestar toda a assistência possível às autoridades venezuelanas.

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Pedidos para desbloquear redes sociais e mídia

Além da assistência material e do envio de equipes de resgate, organismos internacionais passaram a destacar a importância do acesso à informação durante a crise. A Missão Internacional Independente de Apuração dos Fatos sobre a Venezuela, vinculada ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, pediu que as autoridades venezuelanas desbloqueiem "imediatamente" o acesso às redes sociais e aos meios de comunicação.

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (25), os especialistas afirmaram que o acesso à informação nos próximos dias poderá ser uma questão de "vida ou morte" para familiares em busca de desaparecidos, equipes de emergência e moradores das áreas afetadas pelos terremotos.

"Como primeiro passo crucial, é vital que a Conatel, órgão regulador das telecomunicações do país, desbloqueie totalmente o acesso às redes sociais e a todos os meios de comunicação", afirmou a missão. "Não pode haver qualquer justificativa para não fazê-lo imediatamente."

Os especialistas destacaram que a resposta à tragédia deve ser guiada pelo respeito aos direitos humanos e pela garantia da circulação de informações confiáveis em meio às operações de socorro.

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A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) afirmou que a Venezuela ocupa a 159ª posição entre 180 países em seu ranking mundial de liberdade de imprensa e denunciou o fechamento de veículos de comunicação e o bloqueio de conteúdos jornalísticos online. Segundo a ONG Venezuela Sin Filtro, dedicada ao monitoramento da censura digital, mais de 200 domínios de internet permanecem bloqueados pelos principais provedores do país.

Com AFP e Reuters

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