Candidato governista reconhece derrota e confirma vitória da extrema direita na Colômbia

A passagem da esquerda pelo poder chegou ao fim na Colômbia depois que o sucessor de Gustavo Petro, Iván Cepeda, reconheceu, nesta quarta-feira (24), a derrota para o candidato da extrema-direita, Abelardo de la Espriella, na eleição presidencial mais acirrada e com maior participação eleitoral da história do país sul-americano.

24 jun 2026 - 15h53

O reconhecimento da derrota pelo candidato governista encerrou dias de tensão política e consolida uma virada ideológica que acompanha um movimento mais amplo na América Latina.

"Decidi aceitar o resultado deste processo (...) e contribuir com a convivência, a paz e o diálogo entre os colombianos", afirmou Cepeda, de 63 anos, ativista de direitos humanos e herdeiro político do presidente Gustavo Petro. 

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A apuração preliminar já indicava um resultado apertado. De la Espriella venceu com 49,7% dos votos contra 48,7% de Cepeda. Inicialmente, o candidato de esquerda havia condicionado o reconhecimento à contagem final, praticamente concluída nesta quarta-feira e confirmada pelas autoridades eleitorais, que registraram 99,9% de concordância com os números divulgados no domingo.

A Missão de Observação Eleitoral da União Europeia descartou irregularidades, apesar das denúncias feitas por Gustavo Petro. O atual presidente levantou suspeitas sobre ataques ao sistema eleitoral e sugeriu uma possível interferência externa, mencionando o apoio público de Donald Trump ao candidato vencedor.

Colômbia segue polarizada

A disputa expôs um país polarizado. Na segunda-feira (22), confrontos entre manifestantes e a polícia de choque foram registrados em Bogotá e Cali após declarações iniciais de Cepeda. O candidato derrotado pediu calma aos apoiadores e hoje reiterou a necessidade de evitar uma escalada de violência.

A eleição colombiana ocorre em um ambiente regional marcado por mudanças profundas. Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca em janeiro de 2025, vários países latino-americanos passaram por guinadas conservadoras. Argentina, Chile, Equador e agora Colômbia integram esse redesenho político, enquanto governos de esquerda resistem em menor número, como no México, Uruguai e Brasil.

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Influência de Trump

De la Espriella, milionário e figura anti-establishment, construiu sua campanha com forte retórica contra a esquerda e promessas de combate radical ao crime organizado. Ele defende medidas como a erradicação química de plantações de coca e o apoio militar direto dos Estados Unidos, incluindo a instalação de bases no país.

A Colômbia, maior produtora mundial de cocaína, é peça central na estratégia regional lançada por Trump, a coalizão "Escudo das Américas", destinada ao combate ao narcotráfico. Espera-se que o novo presidente integre formalmente o país à iniciativa.

Em sua primeira declaração após a vitória confirmada, De la Espriella afirmou que pretende "restaurar e fortalecer" as relações com Israel, rompidas durante o governo Petro. Também prometeu a construção de megaprisões e elogiou abertamente modelos de segurança adotados em El Salvador e no Equador.

Cepeda, por sua vez, sinalizou que a oposição poderá adotar formas de resistência política. "Assumiremos, se necessário, resistência e desobediência civil pacífica", declarou.

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Especialistas demonstram preocupação com os possíveis efeitos da nova política de segurança. A Colômbia ainda enfrenta as consequências de mais de seis décadas de conflito armado, envolvendo guerrilhas, grupos paramilitares e organizações criminosas ligadas ao narcotráfico e à mineração ilegal.

Há dúvidas sobre a capacidade de implementação das promessas do presidente eleito, sobretudo diante de um Congresso em que a esquerda permanece como maior força parlamentar. Ainda assim, a possibilidade de alianças políticas pode garantir governabilidade.

Com AFP

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