Segundo a atualização mais recente, Fujimori soma 50,11% dos votos válidos — o equivalente a 9.206.241 votos — contra 49,82% de Sánchez, que acumula 9.162.855 votos. A diferença de pouco mais de 43 mil votos em um universo superior a 19 milhões torna inviável qualquer virada, especialmente considerando que restam apenas cerca de 39.300 votos a serem apurados em 131 seções eleitorais.
Segundo a atualização mais recente, Fujimori alcança 50,11% dos votos válidos — o equivalente a 9.206.241 votos — enquanto Sánchez registra 49,82%, somando 9.162.855. A diferença de pouco mais de 43 mil eleitores em um universo superior a 19 milhões torna inviável qualquer virada, especialmente considerando que restam apenas cerca de 39.300 boletins a serem apurados em 131 seções eleitorais.
Apesar disso, o resultado segue envolto em tensão política e institucional. Antes mesmo da confirmação oficial pela Junta Nacional de Eleições (JNE), prevista para os próximos dias, Sánchez já declarou que não reconhecerá a vitória da adversária. O candidato progressista denuncia supostas irregularidades, sobretudo na votação de peruanos residentes no exterior, que teriam favorecido amplamente Fujimori. Ele pede a anulação de cerca de 300 mil votos — medida que, em sua avaliação, inverteria o resultado final da disputa.
A resposta das autoridades foi rápida. A JNE considerou inadmissível o pedido de anulação, alegando que ele foi apresentado fora do prazo legal e sem o pagamento das taxas correspondentes. Mesmo assim, Sánchez afirma que levará o caso a organismos internacionais e convocou manifestações em Lima, elevando o risco de instabilidade política em um país já marcado por profunda polarização.
Do lado de Fujimori, prevalece a cautela. O partido Fuerza Popular afirma que aguardará a contabilização de 100% dos votos antes de declarar oficialmente a vitória. Aliados da candidata também reagiram às declarações de Sánchez. Luis Galarreta, candidato a vice-presidente na chapa fujimorista, advertiu que a recusa em reconhecer o processo eleitoral pode gerar consequências legais e comprometer a ordem democrática.
A missão internacional de observação da União Europeia, por sua vez, avaliou o segundo turno — realizado em 7 de junho — como "calmo e dentro da ordem", apesar de reconhecer o nível elevado de polarização na campanha. Esse diagnóstico contrasta com as denúncias de fraude e reforça a legitimidade do processo eleitoral aos olhos da comunidade internacional.
Histórico de eleições apertadas
A disputa remete a um histórico recente de eleições extremamente apertadas no Peru. Em 2021, Keiko Fujimori perdeu para o esquerdista Pedro Castillo por uma margem ainda menor — 50,12% contra 49,87% — em um processo que levou seis semanas até a proclamação oficial. Agora, após três tentativas frustradas (2011, 2016 e 2021), a líder conservadora parece finalmente alcançar o cargo máximo do país.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru com mão de ferro entre 1990 e 2000, Keiko carrega uma herança política controversa. O ex-mandatário foi condenado por crimes graves, incluindo execuções extrajudiciais e esterilizações forçadas de populações indígenas. Ainda assim, o fujimorismo mantém uma base sólida de apoio, especialmente entre eleitores que valorizam sua agenda de segurança e estabilidade econômica.
O desfecho oficial ainda depende da proclamação da JNE. A vitória de Fujimori, embora matematicamente consolidada, abre caminho para disputas jurídicas, mobilizações sociais e questionamentos sobre a governabilidade nos próximos anos.
Com RFI