Terremotos deixam Venezuela 'de joelhos' com centenas de mortos e desaparecidos

Governo italiano monitora situação de seus cidadãos no país sul-americano

25 jun 2026 - 16h03
(atualizado às 16h23)

A Venezuela é um país posto de joelhos, atingido em cheio por dois violentos terremotos que assolaram não apenas a capital Caracas, mas sobretudo a região costeira do estado de La Guaira, onde podem ter provocado uma catástrofe com milhares de mortos.

Mais de 40 mil pessoas continuam desaparecidas, segundo um site criado para os venezuelanos relatarem familiares ou conhecidos que não puderam ser contatados. Ao amanhecer, apenas algumas horas após o desastre, as áreas habitadas parecem zonas de guerra após um bombardeio.

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Dezenas de edifícios desabaram, reduzidos a pó, enquanto outros ficaram destruídos por dentro e colapsaram sobre si mesmos. Incêndios causados por vazamentos de gás estão sendo combatidos, mas as pessoas permanecem nas ruas, chorando, sem nada, em estado de choque, à procura de entes queridos, em meio a montanhas de escombros.

"Tudo caía ao nosso redor. As televisões estavam no chão. Parecia um filme de terror. Durou muito tempo, cerca de dois minutos", disse à imprensa local um residente de uma das áreas mais atingidas, a oeste de Caracas.

"O estrondo era aterrorizante", acrescentou uma vizinha. O objetivo principal agora é levar equipes de resgate e ajuda à região o mais rápido possível, mas a tarefa é difícil: muitas pontes estão danificadas, o aeroporto sofreu graves danos e permanece fechado, e os sistemas de comunicação entraram em colapso.

Apesar disso, as operações de busca continuam sem interrupção. A presidente em exercício, Delcy Rodríguez, visivelmente emocionada, declarou estado de emergência em rede nacional de televisão e anunciou o fechamento de escolas e tribunais, pedindo calma e fazendo um apelo por união nacional.

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Todos os médicos e enfermeiros do país também foram mobilizados. Um esforço internacional de solidariedade foi organizado em poucas horas: toneladas de ajuda chegaram de países vizinhos e equipes de resgate foram enviadas de todo o mundo, dos Estados Unidos à União Europeia, que acionou seu mecanismo de Proteção Civil, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) destinou US$ 200 milhões para a reconstrução.

Equipes também foram enviadas por países acostumados a tais catástrofes, como Turquia e México; todos estão em uma corrida contra o tempo para salvar pessoas ainda presas sob os escombros.

O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, prometeu apoio total ao governo de Caracas. Equipes de bombeiros e da Defesa Civil estão sendo preparadas para envio em aeronaves da Força Aérea.

Enquanto isso, a Farnesina monitora há horas a situação da grande comunidade ítalo-venezuelana e dos cidadãos italianos no país.

Menos de 24 horas após o terremoto, o saldo é de 188 mortos e aproximadamente mil feridos. Esses números são tragicamente provisórios; teme-se que os dois tremores ? o primeiro de magnitude 7,2 e o segundo de 7,5, ocorridos com apenas alguns segundos de intervalo ? tenham causado uma tragédia de grandes proporções.

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O temor avassalador é que o número final de mortos possa ? como um pesadelo ? aproximar-se da estimativa inicial do Serviço Geológico dos EUA (USGS), que variava entre mil e 100 mil vítimas.

Imagens impressionantes foram captadas por pescadores a bordo de um pequeno barco, a poucas milhas da costa: primeiro, o mar começou subitamente a se agitar, com ondas cada vez mais altas.

Momentos depois, altas colunas de fumaça branca surgiram em linha ao longo da costa. Eram edifícios desabando em sequência, como cartas de baralho caindo umas sobre as outras.

O que tornou este terremoto tão letal foi a ocorrência de dois eventos extremamente poderosos em rápida sucessão, combinada com o fato de terem se originado a uma profundidade relativamente rasa: o primeiro tremor ocorreu a 20 quilômetros abaixo da crosta terrestre, enquanto o segundo ? o mais potente e responsável pela maior devastação ? ocorreu a uma profundidade de apenas 10 quilômetros.

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A situação foi agravada por normas de construção precárias: enquanto se contabiliza o número de mortos, críticos já apontam que as construções na Venezuela frequentemente carecem de fiscalização adequada.

Pouquíssimos projetos cumprem as regulamentações antissísmicas, e há falta de planejamento urbano e de manutenção das edificações, apesar de o país enfrentar um risco muito elevado de terremotos devido à sua localização ao longo da falha geológica entre as placas do Caribe e da América do Sul. 

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