Um caso chocante revelado durante um julgamento na Inglaterra essa semana reúne acusações de assassinato, ocultação de cadáver e maus-tratos a animais. O corpo de Delia McInerney, de 62 anos, foi encontrado dentro de um freezer em um apartamento na cidade de St Helens, em janeiro de 2026. No mesmo compartimento estavam os corpos de seus cinco porquinhos-da-índia de estimação.
A descoberta aconteceu quase três anos depois da morte da artista, ocorrida em abril de 2023. O principal acusado é George Gordon, de 65 anos, que era amigo próximo de Delia e com quem ela costumava ficar quando não estava viajando ou em sua própria residência, em Liverpool.
Os detalhes do caso vieram à tona nesta quarta-feira (4), durante o início do julgamento no Tribunal da Coroa de Liverpool. Segundo a promotoria, Gordon teria matado a mulher e mantido os restos mortais escondidos no freezer enquanto se passava por ela em mensagens enviadas a amigos e conhecidos.
Mulher planejava começar uma nova vida em Portugal
De acordo com a acusação, Delia estava prestes a se mudar para Portugal em busca de uma nova vida. A mudança estava prevista para abril de 2023 e ela pretendia levar os cinco porquinhos-da-índia, que cuidava com muito carinho.
Os promotores afirmaram que Gordon teria se incomodado com os planos da amiga. Segundo a investigação apresentada ao tribunal, ele comprou objetos como uma marreta e uma serra manual antes da morte da mulher. A promotoria sustenta que esses itens seriam compatíveis com os instrumentos utilizados posteriormente para matá-la e desmembrar o corpo.
O último registro em vídeo de Delia ainda viva, segundo os investigadores, foi feito em 11 de abril de 2023. Nas imagens, ela aparece ao lado dos animais de estimação. A acusação afirma que a mulher foi morta naquela noite ou nas primeiras horas do dia seguinte, apenas dois dias antes da mudança planejada.
Os exames realizados nos porquinhos-da-índia indicaram que os animais morreram por afogamento, conforme informado aos jurados durante o julgamento.
Corpo ficou escondido por quase três anos
A polícia encontrou os restos mortais em 8 de janeiro de 2026, em um freezer horizontal no apartamento de Gordon, localizado em Gerards Court, St Helens.
Segundo o promotor Martin Reid, o acusado teria construído uma história falsa para fazer amigos e conhecidos acreditarem que Delia continuava viva. Em algumas mensagens, dizia que ela estava doente; em outras, afirmava que a mulher estava viajando ou havia participado de eventos.
Uma das histórias contadas por Gordon envolvia a coroação do rei Charles III, realizada em maio de 2023. Ele teria dito a conhecidos que Delia havia ido à cerimônia e que os dois tinham encontrado personalidades conhecidas, como os atores Joanna Lumley e Stephen Fry.
Enquanto mantinha a farsa, o homem também teria movimentado o dinheiro da vítima. A promotoria afirmou que mais de 2 mil libras foram transferidas das contas de Delia para Gordon em 12 de abril de 2023, um dia depois da data em que ela teria sido morta.
O acusado também teria obtido empréstimos e cartões de crédito em nome da mulher, além de se passar por ela em comunicações com pessoas próximas.
Como a polícia descobriu o crime?
A farsa começou a desmoronar em dezembro de 2025, depois que uma solicitação suspeita foi encaminhada ao Departamento de Trabalho e Pensões britânico. Uma pessoa que se identificava como Chris Cavendish-Gordon, supostamente assistente social, pediu que o benefício de Delia fosse transferido para outra conta bancária.
As verificações realizadas pelas autoridades levantaram suspeitas, levando os policiais até o apartamento de Gordon em 8 de janeiro de 2026.
Segundo o relato apresentado no tribunal, quando era conduzido pelos agentes, o homem teria dito: “Ela está lá dentro” e, em seguida, “Ela está no freezer”.
George Gordon, de 65 anos, admite ter matado Delia McInerney e também reconheceu que escondeu o corpo, impedindo um enterro legal e digno. Ele ainda admitiu acusações relacionadas a fraude e furto envolvendo a vítima.
O homem, no entanto, nega ter cometido assassinato e teria contado à polícia que atingiu Delia com um martelo para acabar com o sofrimento dela, depois de ela ter sofrido uma overdose. Depois ele contou outra versão e alegou que agiu em legítima defesa.
Gordon também se declarou inocente da acusação de causar sofrimento desnecessário aos cinco animais.
O julgamento começou em 4 de novembro de 2026, no Tribunal da Coroa de Liverpool. Até a divulgação das informações mais recentes, não havia sentença. A responsabilidade criminal do acusado pelas acusações negadas ainda será definida pela Justiça.