O Conselho Eleitoral do Haiti marcou, nesta segunda-feira, as primeiras eleições presidenciais em uma década para dezembro, com um segundo turno em fevereiro, depois que os planos de realizar a votação em agosto, com segundo turno em dezembro, foram adiados devido a preocupações com a segurança.
O Haiti não realiza eleições desde 2016.
Seu último presidente, Jovenel Moïse, foi assassinado em 2021, após adiar a votação. Governos sucessivos foram encarregados de realizar uma eleição, mas afirmaram que a insegurança em meio a um conflito com poderosas gangues armadas tornou isso impossível.
O conselho publicou nesta segunda-feira um calendário que define o primeiro turno das eleições presidenciais e legislativas do Haiti para 13 de dezembro, com o segundo turno marcado para 21 de fevereiro. Também foi definida a publicação dos resultados finais para 7 de março.
Os cidadãos também deverão votar em emendas à Constituição e eleger representantes locais, segundo o calendário.
O conselho destacou que o calendário depende da "criação de um clima de segurança aceitável e dos recursos financeiros necessários para a realização das operações eleitorais".
Mais cedo neste mês, o conselho informou que havia iniciado o cadastro de eleitores e o treinamento de agentes de segurança eleitoral, além de ter publicado uma lista definitiva com mais de 300 partidos políticos aprovados para disputar o próximo processo eleitoral.
A violência contínua das gangues deixou os analistas céticos quanto à possibilidade de as novas datas eleitorais serem mantidas. Os efeitos em cadeia incluem escassez crônica de alimentos, extorsão, sequestros por resgate e deslocamentos forçados, acumulando ainda mais desafios para garantir uma votação livre e justa. Cerca de 12% da população do Haiti vive em acampamentos improvisados ou com famílias anfitriãs.
Gangues armadas violentas, em grande parte agrupadas sob uma ampla aliança conhecida como Viv Ansanm, assumiram o controle da maior parte da capital, Porto Príncipe, cuja região metropolitana abriga cerca de um quarto da população. As gangues também se expandiram para o centro e as áreas rurais do Haiti.
A Viv Ansanm, que vem buscando reconhecimento político, foi designada como organização terrorista por Washington e é acusada de sequestros em massa, estupros coletivos, incêndios criminosos, assassinatos indiscriminados e tráfico de armas, órgãos e drogas.