Grifes de luxo em Milão fecharam as portas por temor de saques e vandalismo, após protestos violentos contra o aumento do custo de vida. Os confrontos do fim de semana resultaram em 14 policiais feridos, 32 prisões e centenas de detidos, a maioria menores de idade. Enquanto os organizadores prometem atos contínuos até a queda do governo, a primeira-ministra Giorgia Meloni reuniu a cúpula de segurança pública e condenou as ações violentas registradas no centro da cidade.
Lojas do Quadrilátero da Moda de Milão, zona da cidade que reúne as principais grifes do mundo, amanheceram de portas fechadas nesta segunda-feira (19), por temor de novas desordens em manifestações contra o aumento do custo de vida.
Marcas como Chanel, Hermès, Cartier, Gucci e Pomellato, na rua Montenapoleone, um dos metros quadrados mais caros do planeta, preferiram não abrir as portas para evitar eventuais saques e atos de vandalismo, enquanto um furgão da polícia permanece de plantão na rua Manzoni.
Nas lojas ainda abertas, o clima é de apreensão. Um lojista disse à ANSA que mantém contato com colegas via WhatsApp para trocar informações e decidir o que fazer. Vendedoras de uma unidade da marca de roupa íntima Intimissimi afirmaram que estão preparadas para trancar as portas caso seja necessário.
"Todas as lojas da Via Montenapoleone estão fechando. Apenas algumas estão abertas, mas estamos prontas para fechar se sentirmos qualquer insegurança", contou uma delas.
No último fim de semana, Milão foi palco de confrontos entre manifestantes e forças de segurança, sobretudo na Piazza Duomo, diante da catedral da cidade.
De acordo com balanço divulgado pela polícia nesta segunda-feira, 271 pessoas foram acompanhadas a delegacias, incluindo 220 menores de idade, e 32 acabaram presas. O grupo de detidos tem 23 adolescentes e pelo menos 13 estrangeiros ? na Itália, filhos de migrantes nascidos no país só podem obter a cidadania após completar a maioridade. 14 agentes ficaram feridos nos conflitos, que também registraram saques a lojas no centro de Milão.
As manifestações ocorreram na esteira do levante estudantil na França e pedem mais investimentos em educação, menos recursos para compra de armamentos e ações para combater a disparada do custo de vida.
Um dos organizadores dos protestos na Itália, o Movimento 17 de outubro, prometeu manter "mobilização permanente todos os sábados, até a queda do governo". "Os violentos são aqueles que nos negaram o futuro, mas agora vamos tomar esse futuro nas mãos", disse o grupo em sua página no Instagram.
A conta também divulgou um vídeo onde jovens que saquearam lojas distribuem produtos roubados a moradores de rua, com a legenda "Expropriação proletária em Milão".
Enquanto isso, a premiê Giorgia Meloni presidiu nesta segunda uma reunião sobre segurança pública com ministros da área e comandantes das forças de ordem e dos serviços de inteligência.
Em publicações nas redes sociais no fim de semana, ela condenou a "violência de delinquentes" voltados a "semear o caos", porém garantiu ter "grande respeito pelas milhares de pessoas que se manifestaram pacificamente".