O governo da Sérvia pediu a dissolução do Parlamento para convocar eleições antecipadas em outubro, adiantando o pleito previsto para 2027. A manobra visa permitir que o presidente Aleksandar Vucic concorra a primeiro-ministro para consolidar seu poder após intensos protestos populares contra a corrupção e seu governo de 12 anos. As manifestações eclodiram após uma tragédia ferroviária em 2024, enquanto a oposição acusa o líder de autoritarismo e repressão, alegações que ele nega.
O governo da Sérvia pediu nesta segunda-feira ao presidente sérvio, Aleksandar Vucic, que dissolva o Parlamento e marque uma data para eleições antecipadas, em um movimento de Vucic para tentar reforçar seu controle sobre a política sérvia tornando-se primeiro-ministro, após quase dois anos de protestos liderados por estudantes.
Espera-se que Vucic defina a data das eleições parlamentares nos próximos dias. De acordo com a Constituição, deve haver um período de 45 a 60 dias para a campanha eleitoral.
Ao anunciar o pedido de dissolução do Parlamento, o primeiro-ministro, Djuro Macut, afirmou: "Se quisermos amenizar as tensões na sociedade, não há maneira melhor do que consultar o povo".
As próximas eleições parlamentares na Sérvia estavam previstas apenas para dezembro de 2027. No entanto, Vucic afirmou que uma votação antecipada seria realizada antes, nos dias 18 ou 25 de outubro.
Isso permitiria que Vucic, cujo Partido Progressista Sérvio o indicou no sábado para concorrer ao cargo de primeiro-ministro, tentasse reafirmar sua autoridade após os protestos terem representado o maior desafio ao seu governo.
Vucic, que governa o país como presidente ou primeiro-ministro há 12 anos, enfrentou manifestações anticorrupção desencadeadas pelo desabamento de uma cobertura de concreto em uma estação ferroviária na cidade de Novi Sad, no norte do país, em novembro de 2024, que matou 16 pessoas.
A oposição e os manifestantes acusam Vucic e seus aliados de violência contra adversários políticos, corrupção desenfreada, vínculos com o crime organizado e restrição à liberdade de imprensa — acusações que Vucic e seus aliados negam.