A violência escalou na Cisjordânia com a morte de dois palestinos por tropas de Israel: um durante confronto gerado pela invasão de colonos à vila de Hajja e outro após esfaquear gravemente um colono em um posto avançado. O premiê Benjamin Netanyahu reiterou o combate ao terrorismo, enquanto sofre pressão dos EUA para conter postos ilegais. Moradores relatam ataques conjuntos de colonos e militares, em meio à condenação global sobre assentamentos ilegais, cuja ocupação Israel rejeita.
A violência na Cisjordânia ocupada se intensificou nesta segunda-feira, quando tropas israelenses mataram a tiros um palestino durante uma incursão em uma vila realizada por colonos de um posto avançado nas proximidades e mataram outro palestino que entrou no posto avançado e esfaqueou um colono, segundo autoridades.
Este foi o mais recente episódio de violência envolvendo dezenas de postos avançados de colonos israelenses em toda a Cisjordânia, onde ataques de colonos militantes contra palestinos têm gerado condenação internacional e uma rara ordem do líder de Israel para desmantelar alguns deles.
A Reuters informou no domingo que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, emitiu a ordem após pressão dos Estados Unidos, cujo enviado a Israel visitou neste fim de semana uma cidade palestina que tem sofrido ataques de colonos e onde residem muitos cidadãos norte-americanos.
Durante a madrugada, palestinos em Hajja, no norte da Cisjordânia, se reuniram na extremidade leste da vila para enfrentar cerca de nove colonos armados que haviam invadido a vila, segundo moradores. Eles vieram de um posto avançado a cerca de dois quilômetros da vila, por uma estrada de terra, disseram eles.
Os moradores afirmaram que tropas israelenses se aproximaram da área pelo lado oposto, encurralando os palestinos entre os soldados e os colonos.
Tanto os colonos quanto as tropas abriram fogo, disseram eles. Um palestino de 19 anos foi morto e outros três ficaram feridos, acrescentaram.
Em um comunicado, as Forças Armadas israelenses afirmaram que as tropas foram enviadas a Hajja após receberem uma denúncia de que israelenses haviam entrado na vila.
Segundo o comunicado, os palestinos atiraram pedras contra as tropas, que "realizaram procedimentos de prisão, incluindo disparos de advertência para o ar, seguidos de tiros contra os principais instigadores. Foram identificados acertos".
Ziad Batta, morador de Hajja, disse que ele e mais de 100 outros moradores correram para a área para confrontar os colonos.
"Os colonos começaram a disparar gás lacrimogêneo e granadas de atordoamento. Havia também três veículos do Exército vindo do posto avançado, e eles começaram a disparar gás lacrimogêneo, munição real e granadas de atordoamento. Os jovens fugiram", disse ele.
PALESTINO ESFAQUEIA COLONO ISRAELENSE
Em um incidente separado, um palestino entrou em um posto avançado de colonos próximo à vila de Qusra — onde um cerco realizado por colonos no mês passado gerou indignação internacional — e esfaqueou um israelense de 20 anos, ferindo-o gravemente, informaram as Forças Armadas israelenses e equipes médicas.
As tropas montaram bloqueios nas estradas da região e localizaram o homem perto de uma vila a oeste, informou o Exército em comunicado. O homem então tentou esfaquear soldados e foi baleado e morto por um comandante militar, acrescentou o comunicado.
O Ministério da Saúde da Autoridade Palestina confirmou a morte de um homem de 34 anos, sem fornecer detalhes.
Netanyahu disse que deseja "uma recuperação completa ao proprietário da fazenda (israelense) que ficou ferido no ataque" e que Israel "continuará a eliminar terroristas, perseguir aqueles que os enviam e destruir a infraestrutura terrorista na Judeia e Samaria", usando o termo bíblico para se referir à Cisjordânia.
O gabinete do líder israelense não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre se ele havia ordenado o desmantelamento de alguns postos avançados.
Netanyahu tem afirmado com frequência que seu governo, o mais à direita da história de Israel, apoiou a criação de dezenas de postos avançados, que muitas vezes consistem em trailers pré-fabricados instalados sem aprovação formal do governo.
Seu governo concedeu status legal retroativo a muitos deles.
Órgãos da ONU e a maioria dos governos consideram todos os assentamentos em território ocupado por Israel na Guerra do Oriente Médio de 1967 ilegais segundo o direito internacional. Israel rejeita essa posição, considerando o território como disputado, e não como ocupado.