Gana diz que França está aberta a se engajar em reparações por escravidão

13 abr 2026 - 11h18

Gana disse que ‌a França está aberta a discussões com uma coalizão de países que estão pedindo reparações pela escravidão transatlântica, após uma reunião na semana passada com o presidente Emmanuel Macron.

O presidente de Gana, John Dramani Mahama, acompanhado pelo ⁠ministro das Relações Exteriores, Samuel Okudzeto Ablakwa, e outras ‌autoridades, conversou com Macron em Paris na quarta-feira da semana passada.

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Ablakwa disse no X após a reunião que ‌Macron indicou que a França está ‌aberta a discussões sobre reparações, incluindo a devolução ⁠de artefatos saqueados, abordando as desigualdades econômicas globais e desmantelando o racismo estrutural.

Uma autoridade do Palácio do Eliseu afirmou no domingo que os dois países discutiram os esforços da França para devolver objetos culturalmente significativos e ‌restos mortais humanos, bem como as estruturas legais em torno ‌dessas restituições.

A fonte ⁠não mencionou ⁠as medidas adicionais citadas por Ablakwa.

A reunião ocorreu após a adoção pelas ⁠Nações Unidas, no ‌mês passado, de uma ‌resolução liderada por Gana reconhecendo a escravidão como o "mais grave crime contra a humanidade" e exigindo reparações. A França, juntamente com outros países europeus, se absteve.

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O ⁠representante da França na ONU disse que a abstenção se deveu à preocupação de que a resolução parecia "estabelecer uma hierarquia entre os crimes contra a humanidade".

Ablakwa disse que, apesar da abstenção, ‌Macron havia dito que a França estava disposta a manter um "diálogo aberto e honesto" sobre o assunto.

Em 2001, ⁠a França reconheceu a escravidão transatlântica como um crime contra a humanidade. Mas, como a maioria das nações europeias, não se desculpou formalmente por seu envolvimento nem se comprometeu com reparações.

Do século 15 ao 19, pelo menos 12,5 milhões de africanos foram sequestrados e transportados à força, em sua maioria por navios europeus, e vendidos como escravos. A França traficou cerca de 1,3 milhão de pessoas, de acordo com o banco de dados Slave Voyages.

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