Finlândia e Suécia confirmam transferências de solicitantes de refúgio à Itália

Oposição relacionou essa movimentação à postura de Meloni sobre Ceuta

20 ago 2026 - 14h08
(atualizado às 14h39)
Resumo
Finlândia e Suécia confirmaram a devolução à Itália de solicitantes de refúgio que entraram pela rota mediterrânea, unindo-se a Alemanha, Áustria e Suíça. A ação segue o Novo Pacto de Migração da UE, apoiado pela premiê Giorgia Meloni, que mantém a obrigatoriedade de acolhimento no primeiro país de entrada. A repatriação desses migrantes intensificou duras críticas da oposição contra o governo italiano, apontando incoerências na sua política migratória externa.

Mais dois países anunciaram que vão restituir à Itália solicitantes de refúgio que entraram na Europa através da fronteira mediterrânea, como parte de uma nova legislação migratória apoiada pela própria premiê Giorgia Meloni.

Migrantes forçados resgatados no Mediterrâneo desembarcam em Ravenna, na Itália
Migrantes forçados resgatados no Mediterrâneo desembarcam em Ravenna, na Itália
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Após Alemanha, Áustria e Suíça, os governos de Finlândia e Suécia confirmaram nesta quinta-feira (20) que vão devolver a Roma deslocados internacionais que estão em seus territórios, mas que entraram na Área Schengen, zona de livre circulação na União Europeia e em países parceiros, por meio da fronteira italiana.

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As medidas se inserem no âmbito do Novo Pacto da UE para Asilo e Migração, que entrou em vigor em 12 de junho e obriga os Estados-membros a compartilharem os custos de acolhimento a migrantes forçados e solicitantes de refúgio no bloco, peso que recai historicamente nos países de entrada, como Itália, Grécia e Espanha.

A reforma manteve a espinha dorsal do Regulamento de Dublin, que delineia as políticas migratórias da UE: ou seja, o pedido de refúgio de pessoas que entraram de forma irregular no bloco deve ser analisado e processado no país de chegada, onde o solicitante deve permanecer até a conclusão dos trâmites.

O novo pacto, determina que todos os Estados-membros devem acolher os requerentes, para aliviar o peso sobre as nações mediterrâneas, porém com a possibilidade de pagar 20 mil euros por cada pessoa recusada no âmbito desse mecanismo.

É o caso dos migrantes forçados que serão transferidos à Itália por Alemanha, Áustria, Finlândia, Suécia e Suíça ? esta última não faz parte da UE, mas integra a Área Schengen ?, que ganharam da imprensa italiana o apelido de "dublinantes", em referência ao Regulamento de Dublin.

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"A Suécia efetuou transferências de migrantes para a Itália, e pretendemos continuar fazendo isso, em conformidade com as normas do Pacto de Migração e Asilo", disse à ANSA Victoria Holmqvist, porta-voz do ministro das Migrações de Estocolmo, Johan Forssell.

"É importante que nossa colaboração funcione bem para que a migração para a Europa seja bem administrada e controlada. Do ponto de vista sueco, não se trata de uma novidade, mas as transferências funcionam melhor desde que o pacto europeu entrou em vigor", acrescentou Holmqvist.

Já a assessoria de imprensa do Ministério do Interior da Finlândia afirmou que o início das novas regras "permite a retomada das transferências para a Itália", que estão em "fase de preparação".

Artífice da reforma, o governo Meloni tem se mantido em silêncio a respeito das transferências, porém defende que as regras valem apenas para deslocados que chegaram à Itália após 12 de junho. Enquanto isso, o mecanismo vem alimentando críticas da oposição, na esteira da decisão da premiê de suspender o Acordo de Schengen com a Espanha por causa da crise migratória em Ceuta.

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"O inútil e danoso show sobre Ceuta e as escolhas sobre migrantes produziram um belo curto-circuito. Após a propaganda sensacionalista do governo contra a Espanha, agora Suécia, Áustria, Suíça, Alemanha e Finlândia estão na fila para mandar à Itália os migrantes registrados por nós. Uma obra-prima com a assinatura de Meloni", declarou o ex-premiê Giuseppe Conte, presidente do populista Movimento 5 Estrelas (M5S).

"É clamoroso o boomerang da propaganda de Meloni ao suspender Schengen com a Espanha. Quando eu falei que Meloni criou um precedente perigoso para a Europa em Ceuta, era isso que eu queria dizer", reforçou a deputada Elly Schlein, líder do Partido Democrático (PD).

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