EXCLUSIVO-Candidatos nos EUA adaptam mensagens aos modelos de IA utilizados pelos eleitores

26 out 2026 - 11h47
Resumo
Candidatos nos EUA começaram a moldar seus discursos para influenciar chatbots de IA, como ChatGPT e Gemini, que já são consultados por 25% dos eleitores. Conhecida como GEO (otimização de mecanismos generativos), a prática substitui o SEO tradicional e busca manipular dados na internet para que os assistentes recomendem políticos específicos como a melhor opção de voto. Especialistas alertam que a tática deve crescer até 2028, elevando os riscos de desinformação no cenário eleitoral.

Candidatos políticos dos EUA vêm elaborando suas mensagens de campanha ‌para atrair os chatbots de IA que cada vez mais eleitores têm usado para esclarecer dúvidas sobre questões políticas, e documentos analisados pela Reuters revelaram algumas dessas estratégias.

Uma apresentação em PowerPoint propôs uma estratégia para Mike Minogue, candidato republicano que disputa o cargo de governador de Massachusetts contra Maura Healey. O objetivo era convencer ChatGPT, Claude, Gemini e outros chatbots a apresentá-lo como a escolha preferida em questões-chave, indo muito além da otimização tradicional para mecanismos de busca ⁠que os candidatos vêm utilizando há anos.

Publicidade

À medida que a IA se torna cada vez mais uma fonte de notícias, as ‌campanhas políticas precisam envidar maiores esforços para controlar o que ela produz e tornar-se sua recomendação quando os eleitores fazem perguntas como: quem é o melhor em questões como impostos, moradia e segurança pública. Alguns especialistas se preocupam ‌com a verificação de fatos e a desinformação nas campanhas que utilizam ‌IA.

Os custos podem variar de centenas de dólares por mês para pequenos trabalhos de monitoramento de IA a ⁠dezenas de milhares por mês, caso sejam incluídos serviços de consultoria e compra de espaço na mídia.

A apresentação propôs que a campanha de Minogue criasse centenas de páginas de políticas e citações otimizadas para IA nos sites frequentemente citados por chatbots de IA. Citou maneiras de acompanhar como os principais chatbots respondem a perguntas políticas e alterar sistematicamente o conteúdo até que as respostas reflitam a plataforma do candidato.

No centro da proposta estava a ideia de que, além de ‌persuadir diretamente os eleitores, as campanhas podem, cada vez mais, moldar o ambiente de informação ao alimentar a internet e ‌os assistentes de IA com dados que ⁠influenciam a forma como os ⁠candidatos são descritos, comparados e recomendados.

Publicidade

"Campanhas que utilizam treinamento de influência por IA são agora uma realidade com a qual nos deparamos ⁠e serão onipresentes até o ciclo eleitoral de 2028", que incluirá ‌uma eleição presidencial, disse Joe Bonilla, sócio-gerente ‌da Relentless Awareness. A empresa de estratégia criativa sediada em Nova York já trabalhou com empresas e candidatos políticos nos níveis federal, estadual e local.

"O público está cada vez menos capaz de distinguir — e não será capaz de discernir — o que é criado por sistemas como o Claude e o ChatGPT do que é ⁠conteúdo de origem humana", disse Bonilla.

A apresentação em PowerPoint preparada para a campanha de Minogue e vista pela Reuters descreve a otimização de mecanismos generativos, ou GEO, a sucessora da otimização de mecanismos de busca (SEO) na era da IA. Ela afirma que a empresa compraria espaços publicitários em sites de alta autoridade que os modelos de IA já citam. Também produziria conteúdo para o YouTube e o Reddit e ‌publicaria páginas temáticas criadas para serem captadas por chatbots.

"Quando a campanha estiver pronta, veicularemos anúncios pagos em sites de alta autoridade de domínio que os LLMs (grandes modelos de linguagem) já citam — além do Reddit, que tem peso desproporcional ⁠na recuperação de resultados", diz a apresentação.

Publicidade

ELETORES PERGUNTAM A CHATBOTS

Com o aumento das informações eleitorais online, cerca de 25% dos eleitores qualificados consultaram um chatbot sobre um candidato político ao decidir em quem votar, segundo Cameron Hickey, presidente-executivo da National Conference on Citizenship.

"Se você não divulgar as informações corretas, quem sabe o que os mecanismos de IA vão pegar", disse Thomas Howell, presidente-executivo da Visigent, empresa sediada em Austin, Texas, que elaborou o documento estratégico para Minogue. A Visigent tem seis campanhas políticas entre seus clientes, mas Howell não quis identificar seus clientes.

A campanha de Minogue não respondeu às ligações e emails solicitando comentários.

As campanhas agora precisam competir para se tornarem "a recomendação dentro da resposta da IA", de acordo com a apresentação preparada para Minogue.

"Estamos apenas no início dessa nova era", afirmou Meg Schwenzfeier, da Caucus AI, que acompanha o uso da IA pelos eleitores. "Este ano, o foco tem sido os candidatos garantirem que seus próprios sites apareçam nos resultados dos chatbots", disse. Mas ela alertou: "Os chatbots falam com muita autoridade e podem consumir grandes quantidades de informações não verificadas; por isso, precisamos nos proteger contra a desinformação."

Publicidade
Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se