EXCLUSIVO-Ataque do Irã elimina 17% da capacidade de GNL do Qatar por até cinco anos, diz CEO da QatarEnergy

19 mar 2026 - 15h33

Os ‌ataques iranianos derrubaram 17% da capacidade de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do Catar, causando uma perda de receita anual estimada em US$20 bilhões e ameaçando o fornecimento para a Europa e a Ásia, disse o presidente-executivo da QatarEnergy à Reuters nesta quinta-feira.

Saad al-Kaabi disse que duas das 14 unidades de liquefação de GNL do Catar e uma de suas duas instalações de conversão ⁠de gás em líquidos (GTL) foram danificadas nos ataques sem precedentes. Os reparos deixarão fora de operação ‌12,8 milhões de toneladas anuais de GNL por três a cinco anos, afirmou ele em entrevista.

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"Nunca, em meus sonhos mais loucos, eu teria pensado que o Catar estaria -- o Catar e ‌a região -- sob tal ataque, especialmente de um país ‌muçulmano irmão no mês do Ramadã, atacando-nos dessa forma", disse Kaabi, que também é ministro ⁠de Estado do Catar para assuntos energéticos.

Horas antes, o Irã havia realizado uma série de ataques às instalações de petróleo e gás do Golfo após ataques israelenses à sua própria infraestrutura de gás.

A estatal QatarEnergy terá que declarar força maior nos contratos de longo prazo por até cinco anos para o fornecimento de GNL destinado à Itália, Bélgica, Coreia do Sul e China ‌devido aos dois trens danificados, disse Kaabi.

"Quero dizer, esses são contratos de longo prazo que temos que ‌declarar força maior. Já declaramos, ⁠mas era um prazo ⁠mais curto. Agora é qualquer que seja o período", disse ele.

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IMPACTO E SUBPRODUTOS DA EXXONMOBIL

A QatarEnergy havia declarado ⁠força maior em toda a sua produção de GNL, ‌após ataques anteriores ao seu ‌centro de produção de Ras Laffan, que foi novamente atacado na quarta-feira.

"Para que a produção seja reiniciada, primeiro precisamos que as hostilidades cessem", disse ele.

A grande petrolífera norte-americana ExxonMobil é sócia das instalações de GNL danificadas, enquanto a Shell é sócia da instalação de ⁠GTL danificada, que levará até um ano para ser consertada.

A ExxonMobil, sediada no Texas, detém uma participação de 34% na unidade de GNL S4 e de 30% na unidade S6, disse Kaabi.

A unidade S4 afeta os fornecimentos para a Edison, da Itália, e para a EDFT, na Bélgica, enquanto a unidade S6 afeta a KOGAS, da ‌Coreia do Sul, além da EDFT e da Shell na China.

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A escala dos danos causados pelos ataques fez a região retroceder de 10 a 20 anos, disse ele.

"E, é claro, ⁠este é um refúgio seguro para muitas pessoas, para ter um lugar seguro para ficar e assim por diante. E essa imagem, eu acho, foi abalada."

As consequências vão muito além do GNL. As exportações de condensado do Catar cairão cerca de 24%, enquanto o gás liquefeito de petróleo (GLP) cairá 13%. A produção de hélio cairá 14%, e a nafta e o enxofre cairão 6%.

Essas perdas têm implicações que vão desde o GLP usado em restaurantes na Índia até os fabricantes de chips da Coreia do Sul, que usam hélio.

As unidades danificadas custaram aproximadamente US$26 bilhões para serem construídas, disse Kaabi.

"Se Israel atacou o Irã, isso é entre o Irã e Israel. Não tem nada a ver conosco e com a região", disse ele.

"E, portanto, agora, além disso, estou dizendo que todos no mundo, seja Israel, seja os EUA, seja qualquer outro país, todos devem ficar longe das instalações de petróleo e gás."

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