Transporte aéreo na França teme impacto da crise energética no outono

O setor de transporte aéreo teme "um impacto no outono" europeu, que começa em setembro, da crise energética, mas garante que não haverá cancelamento em massa de voos no verão, declarou nesta quinta-feira (7) Thomas Juin, presidente da União dos Aeroportos Franceses e Francófonos Associados (UAF). A categoria pede o fim do aumento da taxa sobre passagens aéreas.

7 mai 2026 - 12h51

"Vamos atravessar o verão, mas o setor não sairá ileso dessa crise energética, que se anuncia estrutural", afirmou Thomas Juin à rádio francesa RMC. "Todo o setor sairá muito fragilizado. O que se teme é que o impacto seja sentido no outono", acrescentou.

O setor se baseia no exemplo de 2025, quando houve "uma segunda onda de cortes de rotas" no outono, "após o triplo aumento do imposto sobre as passagens aéreas", comenta o executivo. "Quase um milhão de assentos foi retirado dos nossos aeroportos franceses com a aplicação dessa taxa", lembra. "Estamos caminhando para uma situação de crise em que as companhias aéreas estão fragilizadas e, portanto, serão levadas a fazer escolhas rígidas nos aeroportos franceses."

Publicidade

Durante uma reunião com o governo na véspera, os representantes do setor aéreo pediram "a eliminação do triplo aumento da TSBA", a taxa sobre passagens aéreas, disse. Segundo ele, para o governo, "não é o momento de abordar esse tema".

Ao final da reunião, o ministro da Economia, Roland Lescure, assegurou que "a princípio não há motivo de preocupação" com uma escassez de querosene no transporte aéreo em maio e junho, mencionando "provavelmente pouco risco" para os meses seguintes.

Impactos da guerra

Durtante a reunião com representantes de companhias aéreas para avaliar os impactos da guerra no Oriente Médio, Lescure afastou o risco de escassez no curto prazo, apesar das preocupações do setor.

 "O que nos disseram é que, a princípio, não há nenhuma preocupação" com falta de combustível em maio e junho, afirmou, acrescentando que há "provavelmente pouco risco" nos meses seguintes. Cerca de 20% do combustível consumido na França vem do Golfo Pérsico.

Publicidade

O ministro também descartou qualquer controle de preços do querosene e disse não ter identificado "excessos" nem "aproveitadores de crise" no setor.

Cancelamentos pontuais

No mesmo encontro, o ministro dos Transportes Philippe Tabarot apresentou dados sobre os cancelamentos dos voos nas últimas semanas, que são "tranquilizadores." De acordo com ele, a Transavia cancelou 2% de seus voos entre abril e junho, a Volotea, 1%, enquanto a Air France não registrou cancelamentos no período.

"Os casos de cancelamento são, por enquanto, bastante excepcionais", afirmou. Segundo ele, não há previsão de cancelamentos em massa de voos partindo da França durante o verão europeu. O ministro do Turismo, Serge Papin, também adotou um tom otimista ao avaliar o cenário. "A venda de passagens está boa para o verão" e "a temporada turística se apresenta relativamente favorável", disse.

As companhias aéreas pediram ao governo maior flexibilidade na gestão de slots (horários de pouso e decolagem) e nas regras de importação de combustível. De acordo com integrantes do Executivo, esses ajustes poderão ser discutidos em nível europeu nos próximos meses.

Com agências

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações