França envia porta-aviões ao Oriente Médio; estratégia de Trump para liberar Ormuz é questionada

A França enviou o porta-aviões Charles de Gaulle, símbolo da potência militar francesa, ao Oriente Médio. O navio cruzou o canal de Suez na quarta-feira (6) e chegou ao Mar Vermelho. O objetivo é contribuir para a iniciativa multinacional de segurança no estreito de Ormuz, lançada pela França e pelo Reino Unido.

7 mai 2026 - 10h51

O porta-aviões francês está agora a menos de uma semana de navegação do estreito. Le Figaro afirma que o objetivo é preparar o terreno para uma eventual missão internacional de segurança marítima, mantendo uma postura defensiva e independente das operações militares dos Estados Unidos, enquanto o presidente Donald Trump busca uma saída para a crise. 

O envio do porta-aviões visa reduzir o tempo de resposta para proteger a navegação e reforçar a coordenação entre países aliados, principalmente europeus. Ao mesmo tempo, a França quer dar "peso diplomático" à Europa diante da instabilidade criada pelas ações americanas e a resposta iraniana.

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Com o envio do porta-aviões Charles de Gaulle ao Mar Vermelho, a França defende uma coalizão internacional neutra para garantir a segurança no estreito de Ormuz, pontua Les Echos. Segundo o jornal econômico, Paris busca, com essa iniciativa potencialmente apoiada pela ONU, tranquilizar o comércio global em um contexto ainda instável, marcado por ataques a navios e pelo fracasso da operação americana "Project Freedom". 

O jornal lembra que o Charles de Gaulle chega à região no dia seguinte ao ataque contra um navio da empresa francesa CMA-CGM no estreito, que deixou vários feridos.

Fracasso do "Projeto Liberdade"

Já o Libération analisa que a suspensão do "Projeto Liberdade", lançado por Trump para reabrir o estreito de Ormuz, representa "uma confissão de fraqueza" do presidente americano. A operação foi interrompida apenas dois dias após o seu lançamento, oficialmente por causa de avanços diplomáticos com o Irã. No entanto, um acordo para pôr fim ao conflito ainda é incerto. 

Na prática, o "Projeto Liberdade" teve resultados limitados: poucos navios atravessaram a passagem e os ataques continuaram, com o Irã mantendo sua capacidade de dissuasão. Para o jornal, o episódio expõe as contradições da estratégia americana, marcada por oscilações entre ação militar e negociação, além de revelar improvisação e a tentativa de Trump de encontrar uma saída que evite assumir o fracasso.

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