O porta-aviões francês está agora a menos de uma semana de navegação do estreito. Le Figaro afirma que o objetivo é preparar o terreno para uma eventual missão internacional de segurança marítima, mantendo uma postura defensiva e independente das operações militares dos Estados Unidos, enquanto o presidente Donald Trump busca uma saída para a crise.
O envio do porta-aviões visa reduzir o tempo de resposta para proteger a navegação e reforçar a coordenação entre países aliados, principalmente europeus. Ao mesmo tempo, a França quer dar "peso diplomático" à Europa diante da instabilidade criada pelas ações americanas e a resposta iraniana.
Com o envio do porta-aviões Charles de Gaulle ao Mar Vermelho, a França defende uma coalizão internacional neutra para garantir a segurança no estreito de Ormuz, pontua Les Echos. Segundo o jornal econômico, Paris busca, com essa iniciativa potencialmente apoiada pela ONU, tranquilizar o comércio global em um contexto ainda instável, marcado por ataques a navios e pelo fracasso da operação americana "Project Freedom".
O jornal lembra que o Charles de Gaulle chega à região no dia seguinte ao ataque contra um navio da empresa francesa CMA-CGM no estreito, que deixou vários feridos.
Fracasso do "Projeto Liberdade"
Já o Libération analisa que a suspensão do "Projeto Liberdade", lançado por Trump para reabrir o estreito de Ormuz, representa "uma confissão de fraqueza" do presidente americano. A operação foi interrompida apenas dois dias após o seu lançamento, oficialmente por causa de avanços diplomáticos com o Irã. No entanto, um acordo para pôr fim ao conflito ainda é incerto.
Na prática, o "Projeto Liberdade" teve resultados limitados: poucos navios atravessaram a passagem e os ataques continuaram, com o Irã mantendo sua capacidade de dissuasão. Para o jornal, o episódio expõe as contradições da estratégia americana, marcada por oscilações entre ação militar e negociação, além de revelar improvisação e a tentativa de Trump de encontrar uma saída que evite assumir o fracasso.