Lúcia Müzell, da RFI em Paris
Os ministros do meio ambiente das sete maiores potências do planeta (França, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Canadá, Japão e Itália) assinaram sete documentos. Os textos embasarão as discussões dos chefes de Estado e de governo na temática ambiental durante a cúpula do G7, em Evian-les-Bains, nos Alpes franceses.
"Este fórum deve continuar sendo um espaço de diálogo frutífero, independentemente das mudanças políticas. Isso nos levou a concentrar as discussões em prioridades com maior consenso, e as mudanças climáticas, em termos diretos, não estão entre elas", explicou a ministra francesa da Transição Ecológica, Monique Barbut, em entrevista coletiva de encerramento, nesta tarde.
Nas conversas preliminares à reunião, a delegação americana deixou claro a Paris que recusaria o assunto. Em diversas ocasiões, o presidente Donald Trump demonstrou ser um negacionista do clima, e sua presença na reunião de cúpula em junho ainda é incerta.
"Não quisemos enfrentar esse tema de forma frontal, porque, se o tivéssemos feito, correríamos o risco de alguns parceiros se levantarem da mesa de negociações e, assim, não alcançar absolutamente nada", defendeu a ministra francesa. Ela classificou o resultado das reuniões como "excepcional diante dos desafios atuais ao multilateralismo ambiental".
Representante de segundo escalão
A importância limitada que Washington dá ao assunto foi simbolizada pela representante americana no encontro: Usha-Maria Turner, diretora assistente para Assuntos Internacionais da Agência de Proteção Ambiental dos EUA. Com a questão climática descartada da agenda oficial, a postura dos Estados Unidos no encontro estava "construtiva", celebrou a ministra francesa, assim como o ministro brasileiro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco.
"Os Estados Unidos se manifestaram em vários momentos na defesa desses acordos multilaterais. Não houve nenhum momento em que tivesse surgido algum impasse ou alguma discussão que não fosse no sentido de cooperar", relatou à RFI. "Foi uma participação positiva."
O Brasil, ao lado de outros oito países convidados, participou das discussões. Segundo Capobianco, as mudanças climáticas foram abordadas de forma transversal nas conversas sobre combate à desertificação, conservação da biodiversidade e proteção dos oceanos. "Esse assunto veio de forma muito clara. O desafio climático permeou todo o debate", salientou.
Enquanto isso, Colômbia debate saída dos fósseis
A ministra francesa ressaltou que, graças a essa abordagem, os americanos aceitaram a inclusão de aspectos que poderiam ser delicados, como a presença de poluentes persistentes e o combate à poluição na água, incluindo microplásticos. Entretanto, neste contexto, também ficou de fora qualquer discussão sobre afastamento dos combustíveis fósseis. Enquanto isso, a Colômbia sedia, pela primeira vez, uma conferência internacional sobre o tema, a partir desta quinta-feira. Brasil e França estarão presentes, entre mais de 60 países.
Dos sete documentos assinados em Paris, três propõem a criação de alianças estratégicas, três são declarações políticas e o último traça a trilha ambiental do G7, indicou a ministra. Uma das principais ambições da presidência francesa do grupo em 2026 é uma coalizão para o financiamento da biodiversidade, envolvendo os setores público e privado.
"Significaria a primeira medida concreta do G7 para uma região muito importante do mundo, porque envolve 22 países da África", disse.
Outras iniciativas são a criação da Aliança para a Gestão das Áreas Marinhas Protegidas, para fortalecer a cooperação entre os Estados, e o reforço do combate internacional contra a pesca ilegal, que representa de 10% a 20% das capturas globais de pescado, segundo a ministra francesa.
A cúpula do G7 acontecerá entre os dias 15 e 17 de junho, na França. A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é esperada.