"Os números são alarmantes", afirmou Claire Bourdille, fundadora do coletivo francês Enfantiste. Ela citou dados que apontam 160 mil crianças vítimas de violência sexual por ano na França, um infanticídio a cada cinco dias cometido por pais e casos de suicídio em crianças de apenas 9 anos.
Segundo Bourdille, "há instrumentos suficientes para agir na proteção da infância. O que falta é vontade política. Mas para que haja vontade política, é preciso que a sociedade pressione e exija mudanças".
Entre os manifestantes, Yazid Zouanat, que participou com a família, disse: "Houve momentos de violência na minha infância que eu não percebia como violência. Hoje tento compreender e evitar reproduzir. Para mim, tudo passa pela educação".
Financiamento permanente da proteção infantil
As organizações denunciam múltiplas formas de violência: infanticídio, incesto, exploração sexual, pedocriminalidade online, mutilação sexual, terapias de conversão, casamento forçado, violência intrafamiliar e institucional, além de discriminações diversas.
Elas exigem medidas concretas, como a criação de um Ministério da Infância, o financiamento permanente da proteção infantil, a reforma da Aide Sociale à l'Enfance (ASE) — sistema francês de assistência social à infância — e a aplicação das 82 recomendações da Ciivise, comissão independente sobre incesto e violência sexual contra crianças.
As entidades também pedem que crimes sexuais contra menores sejam considerados imprescritíveis, que a denúncia seja obrigatória inclusive para pais e profissionais, e que filhos de vítimas de feminicídio recebam oficialmente o status de vítimas.
Com AFP