Em cúpula internacional, o presidente Emmanuel Macron defendeu a soberania espacial da Europa com metas ambiciosas para os próximos dez anos, incluindo voos tripulados próprios, pouso lunar e conexão via satélite direta para celulares. Ele cobrou prioridade para fornecedores do continente nas compras públicas, rejeitou a dependência externa e propôs uma regulação internacional mais rígida para coordenar o tráfego espacial, alertando que o setor é frágil e exige rápida aceleração.
O presidente também defendeu que o continente tenha capacidades próprias de comunicação por satélite. "A Europa deve estar entre os principais atores globais do setor, especialmente nas áreas de comunicação e inteligência artificial", afirmou. Macron citou a próxima missão espacial que levará três astronautas europeus, entre eles o francês Thomas Pesquet, à Estação Espacial Internacional em 2027, em parceria com a empresa americana Vast e a Nasa.
"Quero ver, em dois anos, a primeira cápsula europeia de carga, Nyx, acoplada à Estação Espacial Internacional; em cinco anos, o primeiro módulo lunar europeu, Argonaut, pousando na superfície da Lua; e, em dez anos, a primeira cápsula tripulada europeia decolando de Kourou com astronautas europeus e de outras nacionalidades a bordo", afirmou.
Macron também pediu que operadoras de telecomunicações, responsáveis por satélites e empresas do setor formem, sem demora, uma aliança europeia de tecnologia Direct to Device (D2D, capaz de oferecer, até 2030, conexão direta entre satélites e telefones celulares, sem necessidade de antenas terrestres.
De acordo com ele, os europeus devem dispor, dentro de dez anos, de uma qualidade de conexão equivalente à da tecnologia 5G em todo o território, sem áreas sem cobertura. "É uma questão de soberania e de oportunidade econômica", destacou.
Fornecedores europeus
Ao abordar a cooperação entre os países europeus, o presidente afirmou que "é preciso ser forte, e isso passa pela Europa", mas reconheceu que "a Europa espacial continua frágil e precisa acelerar". Macron defendeu ainda a necessidade de assumir plenamente a preferência por fornecedores europeus. "Isso não é um palavrão nem protecionismo, mas uma recusa à ingenuidade", declarou.
Para fortalecer a indústria do setor, ele defendeu que todo o mercado institucional europeu seja direcionado às empresas do continente e que as compras públicas priorizem atores europeus. Sem citar nomes, também criticou grandes grupos europeus que desejam manter sua posição dominante no mercado e que, segundo ele, foram os que mais receberam recursos públicos dos Estados Unidos, além de terem se beneficiado de lançamentos institucionais financiados.
Por fim, Macron pediu uma governança compartilhada do espaço e uma regulação internacional compatível com os desafios atuais. "A realidade obriga a reconhecer que o espaço já não é um santuário. Apesar do tratado de 1967, o espaço exterior continua sendo o único grande bem comum mundial que não conta com uma regulação à altura dos desafios", afirmou.
O presidente francês propôs ainda a realização de uma conferência internacional para estabelecer um roteiro claro de coordenação do tráfego espacial, tema que deverá constar da declaração final da cúpula.
Com AFP