Por que a Polônia cresce acima da UE e mira posto entre as três economias mais influentes do bloco

A economia da Polônia voltou ao centro do debate europeu, após o governo afirmar que o país pode se tornar uma das três forças econômicas mais influentes da União Europeia na próxima década. Com crescimento de 3,5% no primeiro trimestre de 2026 e desempenho acima da média do bloco, Varsóvia sustenta que a combinação de demanda interna forte, expansão industrial e estabilidade fiscal explica sua ascensão no cenário continental.

1 jun 2026 - 15h27

A Polônia consolidou nesta segunda-feira (1º) sua posição como uma das economias mais dinâmicas da União Europeia, após novas projeções indicarem que o país pode entrar no grupo das três economias mais influentes do bloco nos próximos dez anos. A avaliação foi feita pelo ministro polonês das Finanças e da Economia, Andrzej Domanski, durante o Congresso Europeu de Finanças, realizado na cidade litorânea de Sopot, no norte do país.

O centro de Varsóvia se beneficia do avanço econômico do país (imagem ilustrativa).
O centro de Varsóvia se beneficia do avanço econômico do país (imagem ilustrativa).
Foto: © Elijah G / Unsplash / RFI

Segundo Domanski, o crescimento de 3,5% registrado no primeiro trimestre de 2026 confirma uma trajetória de expansão sustentada por quase duas décadas. Ele afirmou que a Polônia já figura entre as seis economias mais fortes da UE e participa de discussões técnicas com países do G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo. Para o ministro, seu país está "entre os líderes globais em crescimento econômico", impulsionado principalmente pela demanda interna.

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As previsões da Comissão Europeia para 2026 colocam a Polônia como a segunda economia de crescimento mais rápido do bloco, atrás apenas de Malta, que deve avançar 3,7%. O desempenho polonês contrasta com o ritmo mais lento das maiores economias do bloco, como Alemanha e França, que registram expansão média de 1,1% ao ano desde 2005, segundo dados oficiais.

A trajetória polonesa tem sido marcada por forte industrialização, investimentos em infraestrutura e políticas de estímulo ao consumo. Desde sua entrada na União Europeia, em 2004, o país passou por um processo acelerado de modernização econômica, beneficiado por fundos europeus e pela migração de cadeias produtivas para o Leste Europeu. Esse movimento transformou cidades como Varsóvia, Cracóvia e Wrocław em polos de tecnologia, serviços e manufatura avançada.

Dados da UE mostram que a Polônia supera a média de crescimento do bloco, estimada em 1,1% ao ano. Para 2026, a expectativa é de expansão de 3,5%, após 3,6% em 2025. O país também se destaca pelo tamanho de sua população - 37,7 milhões de habitantes -, o que amplia seu peso econômico e político dentro da União Europeia.

Ascensão polonesa desafia equilíbrio tradicional entre Alemanha, França e Itália

Em termos de Produto Interno Bruto ajustado por paridade de poder de compra, indicador usado para comparar o poder real de consumo entre países, a Polônia já ocupa a quarta posição na UE, atrás de Alemanha, França e Itália. Segundo dados de 2024, a Itália aparece em terceiro lugar, mas analistas afirmam que a Polônia pode ultrapassá-la caso mantenha o ritmo atual e dobre seu nível de renda ajustada.

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Esse avanço altera o equilíbrio histórico dentro do bloco, tradicionalmente dominado por Alemanha, França e Itália. A ascensão polonesa também reforça o peso político do Leste Europeu, região que ganhou protagonismo após a guerra na Ucrânia e o reposicionamento estratégico da OTAN. A Polônia, em particular, tornou-se um dos principais aliados militares dos Estados Unidos na Europa e ampliou investimentos em defesa, infraestrutura e energia.

O ministro Domanski afirmou que o país tem "uma chance real" de integrar o trio de economias mais influentes da Europa na próxima década. A declaração repercutiu amplamente na imprensa polonesa, que vê no crescimento econômico um instrumento de afirmação política dentro da UE. Para especialistas, o país busca consolidar uma imagem de estabilidade e previsibilidade, em contraste com crises recentes enfrentadas por outras economias europeias.

A Polônia também se beneficia de uma população relativamente jovem em comparação com países da Europa Ocidental, o que sustenta o consumo e reduz pressões sobre o sistema previdenciário. Além disso, o país tem atraído investimentos estrangeiros em setores como tecnologia, automóveis elétricos e semicondutores, impulsionados por políticas industriais alinhadas às metas europeias de transição energética.

O crescimento, no entanto, não elimina desafios estruturais. A Comissão Europeia alerta que a inflação mais alta e o aumento dos preços de energia devem reduzir o ritmo da expansão do consumo privado entre 2026 e 2027. Mesmo assim, o país mantém desempenho superior ao da maioria dos membros do bloco.

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Consumo deve desacelerar, mas trajetória de longo prazo segue positiva

As previsões da Comissão Europeia indicam que o consumo privado na Polônia deve perder força em relação a 2025, pressionado pela inflação e pelo encarecimento da energia. Esses fatores devem afetar o orçamento das famílias até 2027, reduzindo a margem para gastos discricionários. Ainda assim, analistas afirmam que o impacto tende a ser temporário, já que o mercado de trabalho permanece aquecido e os salários reais vêm registrando recuperação gradual.

A economia polonesa também se beneficia de uma política fiscal considerada prudente, com controle de déficits e investimentos direcionados a setores estratégicos. O país tem buscado diversificar sua matriz energética, reduzindo dependência do carvão e ampliando fontes renováveis, movimento acelerado após a crise energética europeia desencadeada pela guerra na Ucrânia.

Outro fator relevante é a integração crescente da Polônia às cadeias produtivas europeias. Empresas alemãs, francesas e norte-americanas têm ampliado operações no país, atraídas por mão de obra qualificada, custos competitivos e estabilidade regulatória. Esse processo fortalece a posição polonesa como centro industrial e logístico do continente.

Apesar das incertezas globais, a Polônia mantém uma das trajetórias de crescimento mais consistentes da Europa desde 2005, com média anual de 3,7%. Para especialistas, o país reúne condições para ampliar sua influência econômica e política dentro da UE, especialmente se conseguir manter investimentos em inovação, infraestrutura e educação.

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A ascensão polonesa, porém, deve intensificar disputas internas no bloco, já que o país tende a reivindicar maior peso em decisões estratégicas. A discussão sobre reforma institucional da UE, que inclui mudanças no sistema de voto e na distribuição de recursos, pode ganhar novos contornos com o fortalecimento de Varsóvia.

Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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