A Itália aprovou uma nova lei eleitoral que concede maioria parlamentar à aliança que superar 42% dos votos. Defendida pela premiê Giorgia Meloni para garantir estabilidade e dar mais escolha aos eleitores, a medida exige a definição prévia de planos e candidatos a premiê. A oposição criticou o modelo e promete contestá-lo na Justiça. Apesar da vitória do governo, analistas alertam que a regra traz riscos à coalizão governista e pode favorecer a centro-esquerda nas próximas eleições.
"Com a adoção definitiva da nova lei eleitoral, os italianos poderão escolher tudo quando voltarem às urnas: o partido, a coalizão, o programa, o candidato a primeiro-ministro e seu representante parlamentar", comemorou a chefe do governo italiano na rede X. "Aos que esperavam ver a centro-direita dividida, respondemos hoje com os fatos: estamos unidos, coesos e determinados a cumprir os compromissos assumidos com os cidadãos", acrescentou.
Giovanni Donzelli, deputado do partido Irmãos da Itália (Fratelli d'Italia), considera que a nova legislação representa "uma revolução". Antes da votação, a premiê disse que renunciaria ao cargo caso a reforma fosse rejeitada pelo Parlamento, onde o partido de Giorgia Meloni e seus aliados detêm maioria. Mas a coalizão tem dado sinais de fragilidade à medida que se aproximam as eleições legislativas.
O governo defende que a reforma trará mais estabilidade política ao país. Segundo o Executivo, o modelo também beneficia os eleitores ao obrigar partidos e coalizões a apresentar antecipadamente seus programas de governo e seus candidatos ao cargo de primeiro-ministro. A exigência, porém, pode criar dificuldades para a centro-esquerda, que está dividida e, por ora, não obteve consenso sobre um possível candidato à chefia do governo.
A oposição, que já havia prometido votar contra o projeto, também se manifestou após sua aprovação pelo Senado. Para Giuseppe Conte, ex-primeiro-ministro e líder do Movimento 5 Estrelas (M5S), a nova lei é "uma grande confusão, um mecanismo complicado, concebido apenas para encontrar uma fórmula que ofereça vantagem nas próximas eleições".
Con l'approvazione definitiva della nuova legge elettorale, quando gli italiani torneranno a votare potranno scegliere tutto: il partito, la coalizione, il programma, il candidato premier e - di nuovo - il proprio parlamentare. Il centrodestra reintroduce il voto di preferenza, che mancava da oltre trent'anni, restituendo ai cittadini il potere di scegliere direttamente chi li rappresenta. Allo stesso tempo introduciamo regole pensate per favorire la stabilità e la coerenza parlamentare di qualunque governo, indipendentemente dal suo colore politico. Perché chi vince le elezioni deve poter governare, e chi viene eletto deve rispondere agli elettori che lo hanno scelto. Introduciamo anche il voto fuori sede per studenti, lavoratori e caregiver familiari, nei casi previsti dalla legge: una risposta concreta a una richiesta avanzata da tanti cittadini, soprattutto giovani, che vivono lontano dal proprio Comune di residenza. Governi stabili e maggiore partecipazione significano più continuità, più responsabilità e più capacità di dare risposte concrete agli italiani. E a chi sperava di vedere il centrodestra diviso, oggi rispondiamo con i fatti: siamo uniti, compatti e determinati a portare avanti gli impegni presi con i cittadini. Avanti così.
— Giorgia Meloni (@GiorgiaMeloni) October 8, 2026
Aposta arriscada
A nova legislação estabelece um sistema totalmente proporcional, concedendo maioria parlamentar a qualquer aliança que ultrapasse 42% dos votos. Para isso, serão atribuídas 70 cadeiras extras à Câmara dos Deputados e 35 ao Senado.
Embora o texto tenha sido aprovado, como era esperado, alguns analistas alertam que a reforma pode abrir caminho para uma vitória da esquerda nas próximas eleições. Segundo pesquisa recente do instituto Ipsos Doxa, a coalizão de centro-esquerda poderia ultrapassar a barreira dos 42% dos votos, desde que consiga superar suas divisões internas e convencer dois pequenos partidos radicais a integrar a aliança.
"Essa lei cria um cenário eleitoral totalmente aberto à competição e, justamente por isso, a coalizão de Meloni pode acabar perdendo a eleição", avalia Giovanni Orsina, cientista político da Universidade Luiss, em Roma.
Em setembro, Giorgia Meloni tornou-se a chefe de governo mais longeva da Itália do pós-guerra. Ainda assim, sua coalizão vem perdendo espaço para o ex-general Roberto Vannacci e seu novo partido, Futuro Nazionale (FN), de extrema direita.
Embora Meloni tenha descartado até agora qualquer aliança com Vannacci, o FN (Futuro Nacional, de extrema direita) aparece nas pesquisas à frente tanto da Liga, partido anti-imigração, quanto da Força Itália, seus dois aliados de coalizão. A primeira-ministra poderá precisar do apoio da legenda para manter sua maioria.
O atual mandato de Giorgia Meloni termina em outubro de 2027, mas ela poderá antecipar as eleições para abril ou maio do próximo ano. Os partidos de oposição já anunciaram que pretendem contestar a nova lei eleitoral na Justiça antes desse prazo.
Com agências