Milhares foram às ruas em Orléans contra o congresso do partido de extrema direita RN, reunindo entre 11 mil e 26 mil pessoas sob forte esquema de segurança. O ato foi impulsionado por um recente atentado a tiros racista na região de Paris, que deixou um morto e cinco feridos e foi associado ao avanço da sigla anti-imigração. A mobilização integrou uma jornada nacional com centenas de protestos contra o custo de vida, mobilizando 70 mil policiais em toda a França para evitar distúrbios.
Cerca de cinquenta legendas políticas de esquerda, centrais sindicais e associações convocaram o ato que tinha a previsão inicialmente de reunir 30 mil pessoas, vindas de toda a França. Segundo a prefeitura, 11 mil manifestantes participavam do ato no início da tarde, enquanto os organizadores falavam em 26 mil pessoas e afirmavam que o número ainda poderia aumentar com a chegada de novos participantes ao cortejo durante o dia.
Autoridades temem que elementos radicais se infiltrem na manifestação, para a qual cerca de três mil membros das forças de segurança foram mobilizados. A prefeitura de Orléans determinou toque de recolher noturno para menores de 15 anos neste sábado e domingo (25).
"Para nós, o RN nunca será um partido como os outros. É um partido perigoso para a nossa democracia (...) estamos em um momento decisivo", avaliou a secretária-geral da CGT, Sophie Binet.
Atentado racista na véspera
O evento do RN acontece um dia após um ataque que deixou um morto e cinco feridos perto da capital. Muitos políticos, como o prefeito do município de Saint-Denis, Bally Bagayoko, associaram o atentado de sexta-feira (23) em Trappes e La Verrière, a sudoeste de Paris, ao crescimento nas pesquisas de intenção de voto do partido da extrema direita, abertamente contra a imigração.
"Este é mais um de tantos atentados racistas, xenófobos (...) Agora precisamos agir. E agir significa, naturalmente, estarmos presentes em grande número hoje", declarou Bagayoko.
Segundo os primeiros elementos das investigações, o suspeito, identificado como Kevin T., de 39 anos, abriu fogo contra pedestres, mirando em pessoas de origem africana ou árabe. O agressor está detido, bem como a mãe dele, que teria se apresentado voluntariamente à polícia. O Ministério Público Antiterrorista está a cargo das investigações.
Protestos no resto do país
A mobilização em Orléans ocorre no mesmo dia de uma ampla jornada de protestos em todo o país. Convocados por sindicatos, estudantes e pelo movimento dos "coletes amarelos", mais de 700 atos, incluindo cerca de 500 manifestações contra o alto custo de vida estão previstos.
As autoridades mobilizaram cerca de 70 mil agentes de segurança em todo o território, uma semana após episódios de violência e confrontos que marcaram os protestos anteriores e levaram o governo a reforçar o esquema de segurança.
(Com agências)