Na França, a multiplicação dos incêndios reacendeu o debate sobre os meios disponíveis para combater o fogo. A morte de três bombeiros em apenas duas semanas, incluindo dois profissionais que morreram na terça-feira (21) na região de Bordeaux, levou sindicatos a denunciar a sobrecarga das equipes e a falta de efetivos.
Embora o ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, afirme que o país dispõe de recursos suficientes, representantes da categoria apontam jornadas excessivas, desgaste físico e mental dos profissionais. Segundo eles, equipes enviadas para reforçar o combate aos incêndios frequentemente operam com efetivos inferiores ao necessário.
A situação permanece crítica no departamento do Var, no sul do país, onde bombeiros lutavam nesta quarta-feira (22) contra um incêndio que já consumiu 2.500 hectares. Apesar de as chamas não estarem totalmente controladas, as autoridades afirmaram que o fogo deixou de avançar ao longo do dia. Cerca de 400 moradores foram retirados de suas casas e ainda não receberam autorização para retornar. Em áreas próximas a Cotignac, em Var, o cenário é de devastação, com casas danificadas, árvores carbonizadas e veículos destruídos pelas chamas.
Com mais 1.100 bombeiros em campo e reforços vindos de cerca de dez departamentos, dois Canadair, três helicópteros de combate a incêndios e duas aeronaves Dash em ação, o objetivo é "tentar conter o incêndio", declarou o coronel Philippe Raison, subchefe do corpo de bombeiros do departamento.
Nesta região da "Provença Verde", entre Toulon e o Parque Natural do Verdon, cerca de 50 residências foram afetadas pelo incêndio e dez casas foram destruídas, de acordo com um levantamento preliminar da prefeitura.
Os bombeiros alertam que o combate aos incêndios se soma ao atendimento cotidiano de emergências médicas, que representam cerca de 80% das missões da corporação. Desde janeiro, mais de 42 mil hectares já queimaram na França, superando o recorde registrado em 2022 para o mesmo período.
Incêndio histórico destrói 32 mil hectares perto de Madri
Na província de Guadalajara, a cerca de 100 quilômetros da capital espanhola, um incêndio considerado um dos mais complexos da história recente do país já devastou 32 mil hectares. O fogo obrigou a evacuação de aproximadamente 1.200 pessoas de 40 vilarejos. Muitos moradores relataram ter abandonado suas casas às pressas, levando apenas documentos e medicamentos.
Autoridades regionais classificam o desastre como um dos maiores já enfrentados pela região de Castela-La Mancha. O incêndio corresponde sozinho a quase um quarto de toda a área destruída pelo fogo na Espanha em 2026.
Além do impacto humano, a destruição da biodiversidade preocupa especialistas e autoridades locais. A expectativa é de forte mortalidade entre cervos, javalis, raposas e aves.
O primeiro-ministro espanhol destacou que o país registrou 22 grandes incêndios desde o início do ano, quatro vezes mais do que no mesmo período de 2025, atribuindo o aumento aos efeitos das mudanças climáticas.
Mais de mil incêndios em poucos dias na Sicília
Na Sicília, bombeiros enfrentam uma sequência de incêndios alimentados por temperaturas superiores a 40°C, ventos quentes e seca persistente. Desde sábado (18), foram contabilizados mais de 1.000 incêndios na ilha, segundo as autoridades. A situação foi classificada como "grave" pela Defesa Civil italiana.
Um dos principais focos, localizado no centro da ilha, levou à evacuação de cerca de cem moradores e de 22 pacientes de uma clínica. O incêndio também interrompeu temporariamente o abastecimento de água potável em cerca de 20 municípios.
De acordo com medições regionais, algumas localidades registraram temperaturas superiores a 45°C. Especialistas alertam que a Sicília está entre as regiões europeias mais vulneráveis à desertificação, fenômeno agravado pelo aquecimento climático e pela redução das chuvas.