Uma onda de falsos alertas de bomba afetou ao menos 27 voos na Europa, mobilizando caças e forçando desvios em vários países, embora nenhum explosivo tenha sido achado. As ameaças por e-mail citaram o grupo extremista pró-Rússia "Estado Masculino", levantando suspeitas de ações de guerra híbrida contra nações que apoiam a Ucrânia. Apesar dos transtornos, todos os aviões pousaram em segurança, enquanto autoridades investigam a real autoria dos ataques em meio a crescentes tensões geopolíticas.
Uma terceira onda de falsos alertas de bomba em menos de uma semana atingiu o transporte aéreo europeu nesta quinta-feira, afetando pelo menos 27 voos em países como França, Itália, Bulgária, República Tcheca, Bélgica, Romênia e Áustria, segundo informação da Reuters.
As ameaças, enviadas por e-mail a aeroportos e autoridades aeroportuárias, levaram ao acionamento de protocolos de segurança, com o desvio de três aeronaves e a escolta de vários voos por aviões de caça. Apesar dos transtornos, todos os aparelhos pousaram em segurança e nenhuma carga explosiva foi encontrada.
Entre os casos mais marcantes está o de um Airbus A320 da companhia irlandesa Aer Lingus, que fazia a rota entre Dublin e Roma. Após um alerta transmitido pelas autoridades italianas, a aeronave foi interceptada por dois caças franceses e desviada para a base aérea de Évreux, no norte da França. Os 151 passageiros e os seis tripulantes desembarcaram sem incidentes.
Eric Schouten, diretor do grupo de segurança aérea Dyami, observou que a maioria dos países afetados apoia a Ucrânia diante da invasão russa.
"Do ponto de vista geopolítico, acredito que é preciso sempre considerar a hipótese de uma guerra híbrida, na qual um país, e hoje pensamos naturalmente na Rússia, nos ataca em várias frentes, das ferrovias aos supermercados, passando pelos bancos de sangue, como vimos recentemente", declarou.
"Os setores de energia, internet e aviação também fazem parte desse cenário", acrescentou.
"Toda ameaça contra civis é inaceitável", declarou o comissário europeu de Transportes, Apostolos Tzitzikostas. Ele ressaltou, porém, que ainda é "cedo demais para concluir que esses incidentes estejam relacionados".
Ameaças por e-mail
Outros voos também foram alvo das ameaças. Um avião da Finnair que seguia de Helsinque para Roma foi escoltado por caças italianos até o aeroporto de Fiumicino. Na Bulgária, caças MiG-29 acompanharam três voos da Ryanair citados em uma das mensagens. Um deles, procedente de Londres, foi redirecionado para a cidade de Plovdiv.
Na República Tcheca, o aeroporto de Praga recebeu as ameaças por e-mail enviados de endereços anônimos, informou à AFP a porta-voz do aeroporto, Denisa Hejtmankova.
Na Itália e na Bulgária, o alerta foi acionado por mensagens eletrônicas enviadas aos aeroportos de Roma e Sófia, além de diversos endereços ligados às duas plataformas aeroportuárias, confirmaram as autoridades responsáveis.
"Vocês estão todos envolvidos em uma conspiração criminosa. Queremos destruí-los por esse motivo. É exatamente por isso que explosivos foram colocados nos seguintes voos (...) e em seu aeroporto", dizia a mensagem enviada a vários endereços do aeroporto de Sófia.
O texto prosseguia: "Nós, combatentes do 'Estado Masculino', entraremos para a história por nossas ações de hoje. Seu regime feminista se lembrará disso para sempre. A explosão ocorrerá em 60 minutos. Hoje, o seu céu ficará vermelho."
O jornal italiano Corriere della Sera publicou uma mensagem idêntica, mas voltada para dois voos com destino a Roma, enviada à ADR, empresa que administra os aeroportos da capital italiana. Uma fonte da companhia confirmou o conteúdo à AFP.
O que é o movimento neonazista russo
Existe na Rússia um movimento de extrema direita conhecido como "Estado Masculino", que utiliza simbologia nazista e apoia a guerra na Ucrânia, segundo especialistas. No entanto, as autoridades não confirmaram se o grupo extremista está efetivamente por trás dos e-mails.
Os incidentes ocorrem em um momento de preocupação crescente com as chamadas ações híbridas na Europa. Diversos governos europeus acusam a Rússia de promover operações de sabotagem e desestabilização em território europeu, embora Moscou negue envolvimento. Dinamarca, Polônia e Romênia associaram diretamente os episódios desta quinta-feira a esse contexto.
Na terça-feira (3), uma onda semelhante já havia atingido ao menos dez voos comerciais no continente. Assim como agora, todas as aeronaves foram inspecionadas após o pouso e nenhum artefato suspeito foi encontrado.
RFI com agências